Terra da Boa Convivência
A sociedade brasileira vive uma relação de amor e ódio com as diferenças, sejam étnicas, de raça, de gênero. Primeiro, há um slogan nacional de que abraçamos as diferenças nesse lugar em que cada grupo encontra o seu lugar. Segundo, os dados estatísticos desconstroem esse lugar de “acolhimento” e constatam que ainda estamos longe de saber lidar com as diferenças.
É sabido que a sociedade institui regras de convivência, e parece haver um desejo coletivo de que todos se homogeneízem nesse caldeirão cultural. Nesse sentido, aqueles, que se diferenciam do modelo ideal, estabelecido na sociedade, passa por um processo de marginalização. Esse alijamento social é de extrema violência para as relações em sociedade, pois se nos definimos pelo multiculturalismo, é inconcebível que apenas uma cultura tenha privilégios em detrimento de outra. No Brasil, identificamos essa relação de desrespeito com o diferente até os dias atuais. Assim, a idéia de que abraçamos a diferença fica um tanto quanto no plano teórico, pois na prática precisamos de uma caminhada mais longa.
Pode ser observado que nesse lugar acolhedor, como é carinhosamente chamado o Brasil, levamos mais de quatrocentos anos para discutir medidas de inclusão dos negros na sociedade, através da educação, de inserção no mercado de trabalho; A mulher, por sua vez, ainda enfrenta desníveis salariais em relação aos homens, embora possuam o mesmo grau de escolaridade; Os homossexuais são retratados, cotidianamente, nos telejornais como vítimas da violência de grupos, como Skinheades. E o idoso ainda precisa rivalizar nos ônibus para usufruír de assentos que os pertencem por direito. A partir desses exemplos, constata-se que a convivência do brasileiro com as diferenças ainda é fragmentada. Não seria, assim, clichê dizer que o respeito às diferenças é fundamental nas relações em sociedade.
Em suma é imprescindível que haja uma preparação da sociedade brasileira, para que saiba conviver com as diferenças. Daí, a necessidade de que o Estado, a família, instituições religiosas estejam engajadas nesse preparo, pois, como disse o pensador uma sociedade pode ser medida a partir do grau em que lida com as diferenças. Uma vez preparados os brasileiros, nesse sentido, poderá ter, finalmente, o orgulho de denominar essa a Terra da Boa Convivência com a diferença.


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