Luto.
Eu prometi não me posicionar, mas às vezes não dá. Confesso que os últimos escândalos envolvendo a banda baiana de pagode New Hit, acusada de violentar sexualmente duas fãs, me fez repensar muitas coisas... Uma delas foram os valores que passamos ao outro quando consumimos produtos culturais dessa natureza. A banda, que tem como refrão de uma de suas letras (espanca, espanca, espanca), comprovou que o ritmo agradável pode perder o caráter amigável de brincadeira ou diversão e assumir o ápice da devassidão, do desrespeito, da violação do outro. Não sei ainda se por luto, ou decisão permanente fui ao extremo de não mais querer ouvir, ou me “divertir” nesse sentido. E oxalá todos tivessem esse senso crítico, mas andamos por demais entorpecidos... Passamos um trimestre sem aula nas escolas públicas e, praticamente ninguém se mobilizou, salvo os professores, e alguns estudantes da rede pública e privada. No entanto, ontem, sábado à tarde, foi organizada uma caminhada em defesa dos sujeitos sociais em questão. É esquecida a violência contra a mulher, a violência contra os direitos humanos e marcada a nossa autorização a todas essas práticas. Agora, quando ouço o choro do cavaquinho e o corpo começa a se remexer todinho, lembro-me de uma lição de infância - se não sabe brincar, melhor parar!


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