martes, 23 de marzo de 2010

Dose ingerida...

E eu tinha esquecido teu gosto
Tua língua roçando meu corpo
Eu tinha esquecido...
Esse sabor roxo, esse endosso
Que me tomou por inteiro
Como chama de esqueiro
Quase me enloqueceu!

Fez-me perguntar quem sou eu
Quando incapaz fui de decifrar
O brilho, o cheiro das rosas...
E onde estava meu olhar?
Pairado no tempo a te admirar
Ocorre que nos amamos,
Ah, como amamos, em tempos
Distintos causa do meu sofrer
Por você, chorei madrugadas afora
Por você, escrevi versos outrora,
Por você estou aqui!

Meus versos emagreceram,
Minha visão não funciona direito
Tampouco o coração, naufragado,
Em sentimentos tantas vezes contrários
Há se desfeito e como efeito
Lembrei-me do teu gosto – precioso
E venenoso! Depende da quantidade ingerida
Em minha vida? Quase morri!

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