Como se verifica a arte da escrita?
A escrita é um passo que escraviza e liberta o ser humano em contínuo processo de ir e vir. À medida que o sujeito se afeiçoa pela arte de escrever, gradualmente se apaixona por essa prática, de modo que a vida sem essa companhia dar, por vezes, contornos gris à vida do autor.
O ato de escrever escraviza o homem a acreditar em sonhos, por mais que as circunstâncias se mostrem adversas. Assim, torna o homem escravo do seu querer, pois a cada romance lido, a cada história contada, o indivíduo percebe que a maior ameaça que pode existir para si, encontra-se nele mesmo. Daí são vencidos o Estado e seus respectivos aparatos, como os órgãos repressores. Pode-se entender que esse tipo de escravização é uma das mais virulentas. Pois, se de todas formas de escravização existentes na cultura, apelos midiáticos, drogas, religiões a escrita mantém-se ao alcance das mãos do escritor através da caneta e do papel, responsáveis por imprimir na folha a expressão do pensamento de seus escritores. Constituindo vício inexplicável.
A arte de escrever, também liberta... Liberta os tímidos do seu mundo, os hiper ativos se acalmam, os mais inseguros treinam sua autoconfiança. A escrita delineia sonhos expressos e ocultos, revela ideologias de épocas, de grupos sociais diversos. Escrever liberta os medos, desenvolve a alma e aprofunda os argumentos do corpo. Apresenta consistência em algumas linhas da vida e vácuos inexplicáveis em conclusões que não terminam. Faz parte da vida idas e vindas, a certeza e a dúvida, a construção e a desconstrução. Para escrever é preciso morrer, despir-se de tantos valores para vestir-se de outros.
É importante perceber que a escravização da escrita torna-se uma droga essencialmente necessária em consumo moderado e gradual no cotidiano nas pessoas, já que seu excesso pode provocar casos extremos de subversão. A liberdade proporcionada pela prática de escrita pode resultar em sujeitos autônomos e independentes.


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