O quadro do horror
O homem trazia em mãos pétalas
Meu coração repleto de esperas
Viu romantismo, achou tão lindo
Parou em contemplação da realização;
O homem adiantou o passo,
Passou pela mulher que parecia sua bela
Orou numa capela e foi ao cemitério,
Oferecer em mistério as rosas a alguém...
Espinhos arranharam meu coração
De tanto se ferir ele anda frágil, frágil
Quase em pedaços emudeceu...
Eu acho que o próximo poema será o anúncio:
Coração se fecha para o mundo
E se abre para a dita vida:
Dos beijos sem poesia, do sexo sem mistério,
Do olhar apaixonado como punhado de alho
Mastigado pouco a pouco...
Cansei-me de acender velas para a esperança
E se amor é qualquer coisa sem relevância,
Prefiro a relutância de beijar por beijar,
E num vazio imensurável navegar....
Num quadro de amor em que eu tão romântica
Vi minha esperança sendo minada....
Confesso que em águas salgadas repousa minha alma!


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