Numa manhã de domingo, acordou o beija-flor mais
apaixonado que nunca. Declamando poesia de amor com a alegria de um condor.
Todos os bichos da floresta se emocionaram. O beija-flor fazia-se bonito por
seu jeito lindo de desfilar pela vida. De repente, surgiu uma cobra muito mal –
humorada e decidiu acabar com a graça do pássaro açucarado.
- Não vejo motivo para tanta alegria- disse a
cobra. Tuas cores, ora amarelas, ora vermelhas não trazem melodia. Trazem tons
de loucura, que amargam a visão de uma pessoa mais velha, matura, como eu!
- Cara cobra, a minha alegria te incomoda apenas
porque ecoam dos meus pulmões coisas vangloriosas, que não foram aprendidas do
fel dos animais. Eu canto o amor que flui em meu ser, junto ao parecer azul do
firmamento. Eu canto o amor que vive em mim nesse momento e, por isso, alegro
meus amigos da floresta.
A cobra irritada com o brilho do beija-flor deu o
bote e a música silenciou. Com a morte do passarinho, o dia lindo fez-se gris,
o verde em luto; O sol, sem alguém para cantá-lo com tanta arte, desmaiou-se e
fez-se chuva. Na floresta inunda a esperança e a saudade do pássaro que se foi!
Só não sabiam os habitantes da floresta que na natureza nada se perde,
tudo se transforma... Uma linda luz consternou o coração da cobra. E de dentro
dela não mais emergia fel, do seu coração brotava o mel, produto da união do
amor contagioso do beija-flor. A cobra jamais soube o que havia acontecido, só
sentia que tinha comido algo muito saboroso que dissolvendo seu veneno a fez
entender que o que de verdade temos: uma
porção de coisas valorosas. Nunca mais picadas, nunca mais foi desditosa. O
beija-flor cumpriu sua missão ecoar o amor no coração de quem tanto a zombou!!
Que calor, essa fábula me tocou...
Moral: Jamais duvides da potencialidade do amor.


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