Olhai os lírios da infância

Faz um tempo que eu vinha pensando comigo como muitas coisas estão fora do lugar nesse Brasil, não seria à toa o refrão do Legião Urbana “Que país é esse”. Vejo crianças brincando entre excretas de amimais, restos de guarda-chuvas, embaladas por rimas que contemplam esse universo de precariedade o qual estão inseridas.
É importante observar nesse contexto como a arte se transforma em uma necessidade do sujeito. As crianças desenham, quando ganham folhas, cadernos, lápis. Naquelas produções infantis, é possível perceber como imagens tão bonitas e de cores tão precisas permeiam o imaginário daquelas crianças. É sabido que realista é todo aquele que caiu das nuvens românticas, conforme o dito popular e o nosso compromisso, enquanto cidadãos, é cuidar para que nossas crianças não percam a capacidade de sonhar tão cedo. O sonho alimenta a esperança de crença num futuro melhor e as brincadeiras constituem acordes de um novo tempo.
Nota-se que quando o tempo da criança é violado por razões de ordem social, econômica e política, são gerados problemas drásticos como o avanço da criminalidade tão evidente. E nós, facilmente manipulados pelos recursos midiáticos, somos levados a crer que a culpa está no menino de rua e nos pedintes em geral. E daí nos revoltamos erroneamente com os efeitos e não com os agentes causadores.
Comumente ouço coisas do tipo “se não eliminar esses trombadinhas, a solução nunca virá”. Diante de tamanha ignorância me calo. Não é que eu esteja fazendo apologia à criminalidade. Mas responda-me como meninos de rua terão “amor ao próximo”, princípio cristão, em espaço que nunca teve um olhar benévolo para eles? Em Vítimas algozes, Joaquim Manuel de Macedo alertava – exterminai a escravidão e não o escravo. A eliminação de pessoas é prática que viemos fazendo há tempos. Qualquer dúvida, pergunte às estatísticas acerca dos jovens, negros, das zonas periféricas da cidade. (dizimados?)
Assim, urgem medidas que atendam às necessidades dessas crianças cujas almas são tão coloridas. Elas clamam por arte, aprendizagem, algo que as devolva o direito de serem crianças, a dignidade de terem um sonho, que as alimente na perspectiva de um mundo melhor. Enquanto não nos comprometermos com ações concretas e preventivas contra a marginalidade, viveremos sempre nesse clima de pós-guerra, carnificina coletiva no ar e o clima de tensão eminente sempre.


2 Comentarios:
Pois é Dri, marginalizar as crianças e jovens que se encontram no mundo das drogas e nos sinais é bem mais fácil do que enxergar e combater as causas. O mesmo que fizeram com os índios e negros, "Diabolizar para exterminar".
Enquanto isso vamos sentindo o gosto amargo do doce oferecido a essas crianças:
DOCE DE GENGIBRE SEM AÇUCAR
Ah! infância sofrida, porém, alegre e criativa.
Infância infantilmente bem vivida. Dificilmente hoje altiva.
Infames roubaram a sua essência, oh! Doce infância.
Destruindo fases e pulando-as como cordas
numa velocidade de brincadeiras de rodas. Doce azedume oferecem aos inocentes
que lambuzam-se não mais com marmeladas ou travessuras,
mas, com violência, sexo, drogas e pouca astúcia.
Brincadeiras de casinhas, de bonecas? Que piegas!
Maquiagens, brim, cocas, colas, shows e Jeans.
Projéteis sem projetos!
Brincadeira de ser mãe aos nove e infeliz sempre que pode,
aos oito, aos sete, aos cinquenta e nove...
Poucos ventos primaveris sopram narinas de crianças que embalam PÉROLAS,
crueldade real que rouba a inocência da face
infanto-juvenil, tão atenta e sedenta por saber.
Por CURIOUSAR ser!
Aprendiz de feiticeiros ,
miseravelmente parentes, midiáticos parceiros.
Maus técnicos e vendedores de sonhos
fantasiados de cordeiros.
Por: Moisés Carneiro – 30/08/2010
Moço, eu tentei responder seu comentário, mas meu pouco conhecimento tecnológico não me ajudou a identificar quem era vc em sua pag! Suponho que o poema acima é seu! Marcado pela criatividade e criticidade! Creio que assim que deve ser, à medida que nos inquietamos coletivamente, tenho sempre a impressão de que a mudança está próxima! Obrigada pela visita!!
Fica bem!
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