Nos perdemos...
De que adianta cantar-te o amor?!
Agora que se foram as estações?
Meu peito se afogou em tantas saudades,
E teu rosto em quantas sensações?
Nos perdemos quando te deixei partir
Naquela tarde de sexta-feira, o marco,
Entre o passado e o porvir, jamais,
Jamais te esqueci...
Minhas noites, incessantes fogueiras,
Saudades e tempestades do meu querer
Como te esquecer?
Amante de gestos tão pouco cavalheiros,
Ausência de poesia em suas palavras,
O gesto áspero nas ações e em minha alma
Fazes morada...
Ah, o inverso e o reverso de tantos corações,
Eis que por ti me pus maravilhada
E de tardes tão prazenteiras a sua,
A sua que mais me agrada...
Da contradição uma chama que não se apaga
A saudade de onde estará aquele bruto amor
Que suscita desejos e me enche de calma,
E a constatação evidente de que nos perdemos,
Óh que lástima!


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