Minha moeda
Os homens são mestres na arte de desapontar-me. Isso ainda ocorre nos momentos da conquista. Ora, é tão fácil ter-me nas mãos, mas eles sempre optam pelo caminho mais difícil... Quando eu conheço um sujeito e o dou oportunidade de fala, espero o óbvio – a palavra. Espero que ele use e abuse do seu poder de persuasão, mas eu não posso dar a direção, pois, se, assim o fizesse perderia o caráter gostoso no processo de sedução.
Mas, ultimamente, tem sido freqüente, ora o doutor, ora o filho do juiz que tentam conquistar-me com seus bens materiais. Não é que eu seja convencida, mas sei, sim, que sou bonita, assim como foram nossas indígenas desde o descobrimento. Beleza nunca faltou à mulher brasileira. Nem as formas de sedução. A diferença é que a índia de 500 anos não conhecia pentes, nem espelhos; a negra do séc. XVIII não conhecia seus direitos e eu, coincidentemente, conheço os dois. Eu seria hipócrita se não reconhecesse o valor de uma viagem, ou os lugares confortáveis que o capital pode oferecer, mas penso que tudo é uma conquista, degraus que vamos galgando ao longo da vida, ou, então negociando em outro momento - além conquista!
Sou uma pessoa tão singela: leve-me para ouvir o barulho da chuva, leia um poema, toque uma música, mostre-me o luar. É o óbvio? Pois, é o óbvio que faz minha alma ressoar nas notas mais agradáveis que têm o tom de fim de tarde ou de noite que convida à felicidade! Tão difícil encontrar alguém que nos veja...
Que eles ainda não sabem é que a natureza das coisas é passageira, mas a palavra é correnteza perene nessa minha alma de poeta... Me conquistem com palavras mais belas e a vocês serei entregue – eis a minha humílima moeda! De entrega ao que verdadeiramente me toca – a sonora nota das palavras.


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