lunes, 5 de agosto de 2013

Eu queria

EU queria muito voltar a escrever, eu queria me envolver com a arte do desconhecido, decifrar as palavras do indizível e voltar a sonhar. Eu estava farta da sanidade dos adultos, vida tão certa e cheia de regras; eu queria aquarelas, eu queria navegar no fundo do oceano e vê outros planos... Eu precisava me apaixonar, não essas paixões que se encerram com sexo sem poesia. Eu queria o lampejo dos loucos, queria me entregar corpo a corpo a algo que me devote por inteiro: o texto! Mas eu tinha medo! E quando eu quisesse voltar? E se eu me apaixonar? E se o que parecia liberdade me aprisionasse?
O texto era o terreno da minha fantasia. Eu sabia até onde ela ia. Mas se o texto não terminasse? Se acabasse a minha arte? Jamais teria as respostas se eu não sucumbisse à vontade de escrever. Se eu não me entregasse a esse desejo instintivo, que me visita com a inconveniência de determinadas partidas; eu estava cansada de fechar a porta para meu convidado mais esperado, o verso raro que senta e toma café comigo, me fala sobre vida, destinos, não me oferece um presente material, mas desenha-me sempre na face um sorriso de menina do colegial.

Eu decidi sustentar essa vaidade, que viessem as consequências, adversidades. Porque o escritor é um sofredor, sofre todas as dores do mundo. Sofre porque recria a realidade, e na recriação, ele leva brilho nos olhos que é verdadeira emoção, chama que consome tudo que passa de importante e de vão. Eu quero ser essa chama, que clama, faz barulho, produz vida. Escrever, definitivamente, me envolvia! E o oxigênio dessa chama é VOCÊ.

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