Tá louco?!
“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal, fazer tudo igual...” Raul Seixas
Eu vinha pensando comigo que essa coisa de equilíbrio é mesmo muito relativa nas sociedades. Dizer que alguém é são ou louco, é o mesmo que dizer que todos têm um pouco dessas alquimias, ou seja, não diz nada...
Comumente meus amigos me chamam de louca por minha mania de escrever como poucas, poesias, cada vez mais encantadas por minhas paixões inesperadas por um rosto desconhecido, que ainda me fazem suspirar – ay, que lindo!!! São figurinhas do mínimo quebra cabeças que me constitui. Sofri quando tentei mudar, porque nessa criatividade expressa, imprimo a marca que me interessa, minha originalidade. Como vejo, sou louca como poucas, sou a loucura de Afrodite, poesia produzida nos ditames de minha consciência com meus musos poéticos.
Foucault já havia afirmado que a loucura não era tão natural, como cultural. Percebemos então, que aqueles que não seguem os códigos de conduta prescritos pelo meio social de seu tempo são taxados como loucos. Afinal, permanecer com o estabelecido gera “equilíbrio” para i-nú-me-ros. Imaginemos que após séculos de estagnação cultural na Idade Média, surge alguém pra nos dizer que a esfera geocêntrica havia mudado, agora a teoria era heliocêntrica. É inimaginável o efeito causado na época, ser taxado de louco, claro, não surpreende nem um pouco... E no século XIX, quando a visão de Darwin acerca da teoria das espécies muda tudo que o homem pensava no assunto em questão, até então... Loucura!!!
Assim, normalidade me parece mesmo um código de conduta muito eficaz para suprimir a criatividade dos homens. Pensar igual, aceitar sem contestar é se “normalizar”, já que romper com o estabelecido é sempre mais difícil para as classes dominantes. Por isso, é que não sei explicar o prazer que me dar quando me chamam de louca, como poucas. Todas as vezes em que assim sou chamada, penso que de alguma forma as coisas ainda estão dentro da ordem, dentro da minha ordem particular.
Chamar-me de louca é autorizar minha liberdade, preu expressar-me como quiser. De onde vem a loucura?! Que venha de onde vier... Pois o que quero, são mergulhos ou vôos cada vez mais lindos em cultura, literatura e por que não loucura que estiver desvencilhada de qualquer anestésico, que me deixe apenas vivendo, como barco levado sem remos em mar aberto e ainda afirmar “aqui me serve, aqui é meu lugar”. Que me venha uma prece e me salve nesse impulso normalizante, paralisante, irrelevante, in-com-pa-tí- vel com a Vida! Loucuraaaa...


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