Gente Bonita
Poucas coisas na vida são tão prazerosas quanto rever os amigos. A diversão expressa lembrança recordada, evidenciando assim que amizades não precisam de dia, nem hora marcada para serem comemoradas. Dessa vez, não seria diferente, após um longo intervalo de tempo, as meninas me ligaram para combinar data e lugar do próximo encontro. Foram precisas em destacar – lá, lugar marcado, só haverá gente bonita. E, eu, inquieta por vida, comecei a me interrogar o que encontraria por lá.
Curioso é que “gente bonita” tá na moda. Seja a modelo das passarelas, sejam pessoas em qualquer esfera, seja aquele que traja roupa bonita (de marca), sejam aqueles que superlotam as academias em massa. De uma coisa eu estava certa, ser belo reunia qualquer aspecto vinculado ao capital. Não seguir isso, podia ser fatal para quem não cumprisse à risca as premissas do mercado de consumo.
Eu já sabia que em uma festa de “gente bonita”, eu não encontraria pessoas “bronzeadinhas” como eu. A loira, alta e magra, seguramente, predominava o imaginário masculino e o feminino também, né? Afinal, essas questões de gênero têm mudado tanto... Toda vez que eu ouvia a expressão de gente bonita, eu me sentia meio arisca, porque sabia que nessa sutil denominação havia uma hierarquia social claramente demarcada. Bonito é quem pode consumir!
E não se engane ninguém a que pareça que estou falando besteiras. A história é precisa em evidenciar-nos de que lado a beleza sempre esteve. Perguntemos-nos, então, que classe social conseguia ter o rosto rechonchudo da Monalisa nas dificuldades econômicas vividas na Idade Média? Ou ainda, por que a mulher romântica do século XIX jamais era representada com essa minha cor bela? Eram cada vez mais pálidas?! Ora, o contexto social não facilitava, qualquer bronzeamento e a mesma podia ser confundida com uma escrava ( e o escravo, por sua vez, era economicamente desfavorecido...). Assim, chegamos ao século XXI, em que magreza se põe em mesa. E se degusta! Quanto mais magra, mais ilustra o cuidado do sujeito com o corpo e com a vida. O corpo que rotula valores. O corpo que comercializa!
Então, não se deprima se você não foi convidado para a festa de gente bonita. Olhe pro lado, se está em casa sentado, leia as propagandas com um olhar bem acertado, ansiedade, bulimia são transtornos já pensados por aqueles que sacaram que ser “gente bonita” é um truque bem bolado para o mercado capitalista. Mas ainda assim... Eu vou! Meninasssss, esperem por mim...


0 Comentarios:
Publicar un comentario
Suscribirse a Comentarios de la entrada [Atom]
<< Página Principal