martes, 24 de mayo de 2011

O silêncio é um vazio cheio de possibilidades(Barthes,Roland)

Correria. Ônibus atrasado. Entrega de textos, várias... Expressão cansada. Falta tempo da academia. Aumenta o stress, diminuem motivos de alegria, literalmente “uma louca tempestade”. Necessidade de muitos escapes. A literatura. Os amores inventados. E uma saudade real. De que nada vivido é, ou foi parcial.
Reviro a bolsa, são cartões e tantos bilhetes, pétalas de ramalhetes nunca oferecidos, nem recebidos.

Penso naquele rosto e sinto no paladar um gosto de que tudo faz sentido. Aquele rosto de verniz própria e matéria contraditória. Onde se circunscrevia o desejo? Na impossibilidade. Era a distância. Era outra cidade! Ele residiu em tantos países a minha procura e eu o esperei por tanto tempo em aventuras do que nunca soubemos. Um cúpido desses desenhos flechou nossos sonhos. Em encontro desprovido de sentido, como todas as coisas importantes se insurgem.

Poderia afirmar que nos sentimos em mesma proporção. Aquele rosto, que inspira desejo, causa tanta repulsão. E o que repulsa é o que pulsa nele e em minha direção. Uma vaidade absoluta, de beleza irresoluta, capaz de possuir o céu ou o inferno. É nessa convicção que me desespero de insatisfação. Reconheço essa trajetória – a luta com as palavras. Querer dizer e silenciá-las. Esse é caminho perigoso de muitas paixões. Eu preciso dizer nesse cenário de ilusões o que sinto, o que vejo, o que desejo. O silêncio é qualquer meio que me desespero. Aquele rosto de menino inconseqüente não tem direito de promover alterações em meu inconsciente. Quando tenho que concordar com ele que realmente crio tudo sozinha...

Volta pra casa. Cansaço. Desejo louco de voltar à academia. Cabeça vazia, oficina do diabo. O profano e o sagrado. Beijo e abraço. Volta pra casa. Amanha bem cedo começam as aulas de dança. As pétalas de esperança banharão meu corpo, em sensação indescritível de muita endorfina percorrendo a corrente sanguinea, desaguando na premissa de que a única estima que a vida realmente prima é a do amor próprio antes de qualquer platonismo. Fantasias para abafar o tédio do cotidiano.

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