lunes, 16 de mayo de 2011

"Falta Amor..."


A vida é uma luta constante carente de amor; Passo na Piedade e vejo estendido na calçada um corpo que à breve mirada pertence a garoto de pouco mais de nove anos. Naquela expressão que o grupo mexicano Maná cantou “falta amor, mucho amor”, que o Bandeira declamou no poema O bicho, ou nas letras da música Haiti de Caetano, sinto minando toda poesia que acredito. Porque diante do corpo do menino estendido, fazendo daquele insalubre chão sua morada, silencio minha visão mais apaixonada pela vida.

A ausência de amor nos envolve em sucessivas camadas de torpor e insensibilidade. Os olhos do mundo inteiro passam pelo menino, mas a frase de bolso é “não é comigo...”. A falta de amor corrompe a visão, sem a orientação do olhar, sem o equilíbrio das mãos damos continuidade a passos tropeços. Bichos e homem se confundiam, a minha alegria estava perdida, guardo na bolsa meu lanche, aquela exclusão tinha expressão fria e vazia demais para minha compreensão. Sem música, sem musa, sem animação.

Hoje eu lia que o músico Seu Jorge, sucesso na música brasileira, era um menino das ruas, quando o teatro o encontrou. Oxalá, tantas portas de amor à arte estivessem abertas a tantos. O amor tem quer estar como a música de Jau Peri, ou seja, como flores na janela. Enquanto a gente não se colocar no lugar dos que só sabem o que é amor pela metade, o mundo será essa eterna luta confusa, sem vencedores, ou ganhadores.

É preciso ajuda governamental, trabalho mais intensivo das ongs e da iniciativa privada. Lembrarmos que cada criança no chão, uma lâmpada de esperança apagada.. Amanhã ao acordar espero que tudo que vi e vivi hoje tenha sido um delírio literário. Quero ter errado meu canto e acertado o amor, ao menos por uma única vez. Porque a única forma de amor que acredito que está vivo é essa chama de esperança da participação social, todos pela mudança.

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