Meia Noite em Paris

Meia-Noite em Paris foi um filme belíssimo que vi em companhia dos meus medos e anseios. Assim como o personagem principal Gil, eu me sentia muito entediada da vida, das minhas práticas, de mim mesma... Gil saía pelas ruas de Paris para buscar inspiração para produção do seu livro. Eu precisava parar de escrever, se não eu ia enlouquecer. Gil, era seqüestrado à meia noite, todas as noites, por um grupo de boêmios que o tratavam com tanta intimidade... E lá ele se encontrava consigo mesmo e com inúmeros escritores do passado. Era uma outra época, uma outra era....
Nas manhãs seguintes, ele era transportado para sua casa, com sua noiva que valorizava um monte de coisas supérfluas, inclusive um outro rapaz que não ele. Em contrapartida, em outro tempo a Bélle Époque, Gil se apaixonou pela bela modelo Adriana. Nela, Gil encontrou a inspiração que precisava para escrever, e assim como ele encontrava-se insatisfeito com seu tempo, a bela Adriana também queria voltar a outros contextos históricos, sob a premissa de que o tempo passado é realmente melhor.
O filme é cheio de magia, repleto de poesia, só aquelas avenidas de Paris me enchem de um saudosismo desconhecido. Eu queria viver, porque eu acredito na vida. Eu acho que nascemos com doses de veneno e antídotos contra o mesmo. Ocorre que nos acostumamos com os venenos do medo, medo da solidão, medo de nós mesmos, medo do novo. E os antídotos que eram pra ser usados em momentos corriqueiros assumem função cotidiana. Assim, vamos tendo uma vida mais ou menos, uma felicidade pela metade, uma certeza fragmentada...
Assim, eu sei que essa Adriana que me habita apresenta muito mais que sedução, como a personagem fílmica, se revela como a moça de fibra que sempre duvidei de sua força. Essa Adriana que se desenvolve em mim tem voz própria e a simbólica coragem de viver.... Se me perguntam como vou?! Vou responder estou muito bem comigo mesma... E com uma certeza de que não sabia que essa convivência comigo seria tão marcada de alegrias... Podia ser uma poesia, mas já me causa uma nostalgia do que há pouco passou, tal qual mostrou a cena do Meia Noite em Paris! O melhor tempo é o que já passou! Ôh, saudade!!!


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