Nascimento da Rosa
No meu peito nasceu um rosa
Podia ser no asfalto, podia ser em Itabira
Mas não nasceu em meu peito...
A rosa de três pétalas,
Cores vermelhas, brancas e amarelas
A rosa de um amor que não é do meu tempo
Uma lembrança esmaecida sem contento
Do que não foi....
No meu peito nascem tantas recordações
E não sei como estou atada a elas,
Ontem havia um não poder, um perigo,
Algo de feio, hoje não há proibições,
Não há freios, mas minha sinaleira
Permanece sempre no atenção...
Ah, a rosa que traduz minha solidão
Reúne tempos que não são meus
E a mim se atam por um passado
Que não existe, constituído de nós
Recriados pela expressão da palavra,
Rosa concreta e abstrata, me envolve,
Me acalma quando eu mais queria...
Era estar contigo, meu mais longínquo amigo,
Que me eleva até o céu...
Cada instante, a impossibilidade de esquecer-te
Tua lembrança é como o deleite daquele homem
Que cuida das flores e leva em suas narinas
Os olores de cada flor do seu jardim,
Tê-lo é como mais um jasmim que adquiri...
E passaste a ter vida quando nasceste em meu peito!


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