domingo, 15 de septiembre de 2013

Entre o tempo perdido na hesitação de escrever ou não, eu preferia a primeira opção. Havia algumas coisas pra contar... E como dizia a peça que vi ontem “pior do que tá não pode ficar”. Você já não me tem em sua lista de contatos, não se comunica comigo, pensando bem qual mesmo seria o prejuízo???? Ah... Um dos meus amigos diria – você fica se expondo!!! Ah, esse  tipo de exposição me comprazia... Na verdade, você nem me conhecia... Isso me garantia um certo “ocultamento” na multidão...

Pois, então, ontem, me raptaram pra um passeio ao cinema e, no meio do caminho, a programação foi mudada. Por que te conto de forma pausada? Para que vejas, o que faz o destino! A peça era uma comédia romântica. Coisa que não vejo, já que a parte direita do meu cérebro, parte da imaginação e criação, é por mais desenvolvida, então prefiro ver coisas mais comedidas. O nome do espetáculo era “O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas”, história do século XIX, acontecida no Recife, com valores e costumes da época. Tipo um musical, feito Mouling Rouge, sabe? Esqueci de dizer – o príncipe era sua cara –  um pouco mais alto, mais forte e tinha a voz mais grave. Ah, eu suspirei...

No final do espetáculo, aquelas atualizações básicas de amigos. Todos rindo dizendo que a peça foi feita pra mim – a bela Clotilde, tão romântica como a bela Adriana. E não sabia eu que essa seria a chama para as críticas vindouras, quando decidi dizer – que quem eu quero não me quer. Ah, era muito difícil pra eles compreender! “QUEM VOCÊ QUER, ADRIANA?”. Os adjetivos foram apresentados em gradação...  maluca estava na base do gráfico...E como eles insistiram muito preu não mais te procurar, preu orientar minha poesia,  preu não oferecer  meu lirismo a qualquer desconhecido que me aparecia.  Inútil explicar que não era – qualquer!!! Era O DESCONHECIDO!!!E aquela conversa toda me produzia uma sensação diferente, eu sabia que ia te procurar, porque eu sou ao revés, se eles me dissessem PROCURE-O! INSISTA, NÃO DESISTA, provavelmente, essa ideia teria deixado de ser interessante, mas...

A ordem dada me fazia vencer minha vaidade. Porque o que eles não entendiam é que gosto da conquista, prática em desuso em nosso tempo, em que tudo é tão delivery... Eu gostava de cantar-te, de escolher as palavras mais bonitas, de pintar-te ou fazer-te brisa. Porque isso, pra mim, é poesia. O fato de conhecer os processos químicos e biológicos que atuam nessas configurações, não esfumava, pelo menos eu tentava, minha forma de sentir.  Embora eu lembrasse duas frases ditas por você nos últimos encontros, eu sentia  uma vontade, odiável ,porque a escrita é uma luta constante, de te escrever. Ah, a frase? Você quer saber?
“-  puxa, dá uma raiva, a gente sai com as mulheres uma vez, e elas dizem que estão apaixonadas...”
E a última foi “ eu sou tão vingativo...”.

Bem, vingativa eu não sou não, mas era notória a briga de egos aí nessa história. Coisa de filho único eu sabia... Eu te escreveria até o meu desejo passar, ou até você me mandar parar...  A psicologia diz que o desejo se desloca, se eu tivesse dito tudo isso, quando te conheci, podia até me passar por mais uma dessas mulheres que você diz apaixonar-se por ti, mas o desejo já teria se realizado e, consequentemente, se deslocado.

Eu poderia até dar prazos de validade a esse devaneio a la Clotilde, ôh, a la Adriana. Podia destacar que, se você não me ligar no meu aniversário, próximo sábado, estamos, definitivamente, de relações cortadas. Excluo telefone. Mas isso tudo é bobagem. Eu acho tão especial ter alguém pra poetizar. Nunca consegui viver sem essas entidades, que me inspiram, mas é uma de cada vez. E quando passa fica tudo tão insosso, que me certifico o quanto foi bom ter insistido. Amanhã tudo isso será apenas eletrônico lixo...  E seria uma economia desnecessária – deixar de dizer essas palavras! Por isso, na hesitação entre escrever ou não, fico com primeira opção! (rs) bjão,

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