miércoles, 4 de septiembre de 2013

Não me ocorreu nenhum verso, por isso hoje não te escrevi. Ocorreram-me lembranças do dia em que te vi, a nossa graça de criança em noite de festa, cumplicidade encontrada no olhar desconhecido com o sabor de vivências antigas... Enigmática a vida. Apresentação com gosto de reencontro.  E, desde aquela noite, eu olho pra ti não com vaga lembrança, mas com saudade de infância. Do tempo em que corríamos por jardins tão especiais para mim, que em falar fragmenta a beleza. É que tua lembrança me arrebata feito correnteza de tantas coisas bonitas... Que não sei dizer! Daí, Clarice Lispector dizer que há coisas que ela prefere não entender, pois tem medo de ao entendê-las deixar de sentir. Não sei por que ando dissertando por aqui... E acredite – pode até ter o intuito de te seduzir- conforme eu disse outro dia. Mas era uma melodia não ensaiada. Tua lembrança, literalmente, me invadia e me inundava de um gosto do novo, do porvir, e tinha a cor do céu de anil. O gosto era esse, porque pareceria imbecil confessar meu delírio ao identificar naquela noite – o beijo com gosto de poesia. E você me confessar no dia seguinte que escrevia...
Mas isso já era tonteria demais pra um só dia! Descansa! É isso que também digo aos meus pensamentos, quando eles insistem em te ver, só pra reviver, naqueles penetrantes olhos, simplórios instantes de prazer por razões que nunca soube dizer...
Começava a me perder naquela comunicação, poeta e poesia se confundiam e isso me tirava do meu lugar de escritora. Mas, por hoje, podia... Essa escrita nos pertencia, porque o texto é nosso!

Saudadesssss, com gosto de até logo!!!!!

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