Não me ocorreu nenhum verso, por isso hoje não te escrevi.
Ocorreram-me lembranças do dia em que te vi, a nossa graça de criança em noite
de festa, cumplicidade encontrada no olhar desconhecido com o sabor de
vivências antigas... Enigmática a vida. Apresentação com gosto de
reencontro. E, desde aquela noite, eu
olho pra ti não com vaga lembrança, mas com saudade de infância. Do tempo em
que corríamos por jardins tão especiais para mim, que em falar fragmenta a
beleza. É que tua lembrança me arrebata feito correnteza de tantas coisas bonitas...
Que não sei dizer! Daí, Clarice Lispector dizer que há coisas que ela prefere
não entender, pois tem medo de ao entendê-las deixar de sentir. Não sei por que
ando dissertando por aqui... E acredite – pode até ter o intuito de te seduzir-
conforme eu disse outro dia. Mas era uma melodia não ensaiada. Tua lembrança,
literalmente, me invadia e me inundava de um gosto do novo, do porvir, e tinha a
cor do céu de anil. O gosto era esse, porque pareceria imbecil confessar meu delírio
ao identificar naquela noite – o beijo com gosto de poesia. E você me confessar
no dia seguinte que escrevia...
Mas isso já era tonteria demais pra um só dia! Descansa! É
isso que também digo aos meus pensamentos, quando eles insistem em te ver, só
pra reviver, naqueles penetrantes olhos, simplórios instantes de prazer por
razões que nunca soube dizer...
Começava a me perder naquela comunicação, poeta e poesia se
confundiam e isso me tirava do meu lugar de escritora. Mas, por hoje, podia...
Essa escrita nos pertencia, porque o texto é nosso!
Saudadesssss, com gosto de até logo!!!!!


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