domingo, 29 de mayo de 2011



Theatro XVIII. Peça “Doido”. Aqueles dias em que caminhamos sem saber a direção exata. A sugestão de poesia, mesa do escritor, pensamento inquietante dos temas humanos, amor, destino, dissabor, pareceu-me convite mais que amável. Assistir àquele monólogo, que reunia tantas intertextualidades, Shakeaspeares, Camões, Van Gogh, Oscar Wilde. Vi tantas coisas das quais penso, que em absoluto tive o contento de meu pensamento não ser louco, já que minhas inquietações estavam representadas como parte da vida humana. Á medida que aquela interpretação intersticial me tocava, eu era tomada por um desejo latente de registrar aqueles momentos e levá-los para a posterioridade – através da escrita, já que a memória fortuita deixaria tudo aquilo passar. Peguei a caneta e ainda no escuro comecei a registrar...

Ele falou muitas coisas, duas me chamaram atenção – a boneca Barbie, despida, sobre sua mesa de escritor representava sua mulher, que naquele momento desejava ir embora com outro. E ele dizia vá – e deu muitos motivos para que ela fosse. “Ele é mais bonito, veleja, viaja, anda de moto, estes que passam pela vida com o ar corajoso, rompante de quem vence o mundo...”. Em contrapartida, “eu já perdi a volúpia de chegar rapidinho, ao ter o prazer de chegar...”,esse ai, não pode ser bom em tudo... Eu posso não ser tão bonito, não ter o domínio da voz como ele, mas sei algumas poesias de cabeça e possuo a arte de ouvir... Sei fazer uma massagem quando você está cansada...”. Naquele momento de pouca calma ele destaca“ tem a hora dos violinos e tem a hora dos tambores.... “. Eu ainda não consegui ultrapassar a barreira larga entre a timidez e a ousadia”. Aquele personagem, era a melodia da minha loucura “ em cada homem existem duas almas que se opõem, longe de nós escolhê-las. “Conserva as duas a terna e grosseira”.

Depois ele segue falando que enquanto poeta, ele foi educado pela emoção. Que diante da solidão em que as pessoas vivem, passam pela vida e não são felizes. Ele prefere sua mesa de escritor, onde conhece todos seus personagens, costumeiros de todas as noites. Os quais o embriagam, porque a verdadeira cultura não está nos livros está nos nervos, nos órgãos sensíveis. E a paixão é o que o embriaga, porque o mundo de sua imaginação é infinitamente mais interessante que o mundo real. Daí ele dá a definição do poeta – um ESCRAVO– não do amor, já que não é o amor que vale a pena, mas os arredores ...

Eu já estava imersa em reflexão mais que profunda, eu podia encontrar e encontraria qualquer coisa que se assemelhava ao que desejo, efêmero e passageiro. Porque o amor semelhante aos dos contos literários é um ideal que passa, porque nada se mantém no mundo das coisas. Não tinha dúvida de que poderia ouvir muitos eu te amo, ou uma canção, como Pétala na lagoa do Abaeté, nos primeiros anos de minha mocidade, foi um beijo de verdade... Mas tudo passa.... E o que valeu pensarei eu no final da vida, é certeza de que passei pela vida “procurando-me e não as palavras”.

A rivalidade entre a terna e a grosseira que me habitam é constante... Mas não posso encerrá-la, essa é minha lareira. As velas que conduzem o meu barquinho. Posso incomodar muitos com minha dual paixão, mas essa é minha busca, posso encerrar a labuta com um personagem, mas a história continua... Porque tenho certeza de que um dia me encontro, nesse incessante percurso angustiante e delirante de estar VIVA!

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