Minha poesia
Estou farta do meu lirismo submisso;
Do meu lirismo esperado;
Do lirismo com muso, verso urgente,
Autógrafo e autorizações do ser amado.
Estou farta do lirismo que verseja minhas experiências
O desejo, do desejo, do desejo mais íntimo;
Todas as palavras, sobretudo as mais românticas,
Todas as cantadas, sobretudo as mais usadas,
Todos os ritmos, sobretudo a dos cantores contemporâneos;
Estou farta do lirismo enamorado,
Conto de Fada,
Grécia Antiga,
Musa das Antilhas,
De todo lirismo inventado
Recapitulado de minhas fantasias,
Do meu querer sem perceber
A dissolução de minha voz feminina,
Não preciso de autorização,
Preciso abandonar o não
E experimentar o que a vida convida,
Mas eu insisto nesse lirismo febril
Nessa coisa de poeta,
Nesse rascunho de esperas,
Que torna a vida mais leve,
Quando eu sei que o mar só vai,
E não mais vem... ou vem?
Ao passo que esse lirismo me gera cansaço
E ardor nas artérias por estar remando há tanto tempo
Eu não lamento, porque eu amo meu canto,
Triste, intransitivo e ensimesmado;
Acho apenas que esse fardo louco, desesperado
De amar sem ser amado não é coisa de jovem,
É coisa de quem se mete em assunto de gente grande,
O que fiz – minha vida inteira!!!


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