viernes, 4 de noviembre de 2011

Primeiro porre a gente nunca esquece!

A noite foi das mais promissoras dos últimos tempos. E bebi, bebi incomensuravelmente.
E você me acredite, não havia nenhuma gente na rua, ninguém para testemunhar minha loucura, meu primeiro porre e todas as horas de transformações que me ocorreram. No espelho, vi a minha face refletida, bailei pela casa ao som da valsa, eu não era uma menina, era um rapaz, cujo nome não lembro, chamavam-me Tomáz.

Eu era conhecedor do mundo feminino, conhecia suas fraquezas e a necessidade de tocá-las não na superficialidade, mas no vértice de suas almas. Ah, eu fazia muito sucesso com as mulheres, meus amigos pediam-me preu ensinar a prece de existirem sempre tantas mulheres atrás de mim. Eu aprendi alguns versos, os decorei de cor, e todas as vezes que as encontrava, as tocava como a um violino. As mulheres gostam de serem tratadas como instrumentos – carinho, delicadeza e muita dedicação. Ter muitas, ou ter apenas uma, não importava, a validade era torná-las única naquela ocasião. A de maior contento, a que precede a minha conquista de predador. Claro, era sexo a única coisa que eu queria, bem como o que elas também queriam. A minha marca era tocá-las, para que jamais esquecessem que passei por suas vidas.

As mãos da amada eram onde eu demorava tempos na conquista. Após um beijo, uma carícia, estava seguro de que alcançaria as mordidas, que aquela pele tão atraente sugeria. Em cada mulher eu sabia das suas potencialidades, as extrovertidas, as tímidas, homem, uma diversidade! Eu sempre vi o gênero feminino como precioso sorvete, que promove o deleite de meus sentidos, o paladar, o olfato, o tato... Ah, inesperado, quando as tomava por seus cabelos e elas se despiam de toda resistência por inteiro em meu corpo tão ansioso, o gozo.

Eu descobri que quanto mais tempo eu passava unido ao corpo delas, mas alimentava uma espera que eu não sabia de onde vinha. Talvez, eu nunca mais voltasse a suas vidas, mas elas esperavam aquele abraço apertado de quem tanto amou. Não seria, uma incongruência oferecer seus lábios e corpos sem a menor a indolência? Não fazia sentido, o que elas pensavam ser paixão era o efeito de um idílio bem construído na tessitura do ser delas por elas? Por mim? Quanta ilusão!

Isso eu jamais poderia descobrir, eu não pertencia àquele tempo, àquela fase de gozos e vaidades. Eu era contemporânea e pagaria um valor muito elevado pela existência boêmia de outro século, em outro estado... Eu voltaria pra minha vida vazia e sem graça, acompanhada da dor de cabeça pelo porre tomado. Não sou homem, sou mulher e sem muitas alternativas pra conquistar. Tomaz tinha trabalho, era dedicado ao ofício raro de beijar, beijar e beijar suas amantes.

Eu não queria enumerar bocas delirantes de quantos beijei, queria apenas ter aquele ser, o qual sempre sonhei, junto à sensação de ser devorada com desejo, como um balinha icekis na boca desse sujeito, e derreter-me a cada provada. Aquele, que suscita gozos e gemidos, quando deveria falar aos meus ouvidos, ainda me cumprimenta e beija minhas mãos, sem nem saber que aquele ponto mágico é minha revelação. Gente, só mesmo depois de muita bebida, preu falar assim abertamente sobre minha vida! Os movimentos bruscos, ainda me doem... Há noites que são irrepreensivelmente inesquecíveis.

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