Amar & (Des)Amar
Todo bruxo recém-iniciado conhece os efeitos de seus poderes da forma mais desordenada possível. É assim que nós, leitores e produtores de texto, nos sentimos, quando percebemos as pirâmides que podemos erigir ou os prédios que podemos fazer desmoronar com a palavra.
De repente, comecei a perceber que o tempo urge, tenho aproximadamente vinte e quatro anos para promover a diferença, para escrever meus livros, ora de cunho social, ora de cunho lírico. Faltam vinte quatro anos preu fazer, preu empreender, preu transformar. Não é pessimismo, é realismo identificar que “a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”, são células que nunca mais voltarão, hormônios e glândulas que não mais produzirão. Até esse meu idealismo utópico passará, porque esse é próprio da juventude...
Se assim é possível dizer, eu cansei de “esperar com a boca cheia de dentes a morte chegar”. Não vim, nem estou aqui para isso. Sinto-me muito mais que um corpo bonito, sinto-me, de verdade, como o passarinho de alguma analogia que tenta apagar o fogo de uma floresta. Eu sei que é possível transformar, porque, para mim, “uma andorinha só faz verão”, sobretudo, porque minha profissão toma emprestada a palavra – o verbo – e é nessa ação que espero fazer a diferença.
Quando falo em paixão, me deleito, nem preciso pensar direito que os dedos já têm autonomia própria sobre a caneta... Mas dói, porque a palavra reconstrói a realidade e a reinventa e a representa, daí preu voltar dessa representação dá um trabalho... Só me despeço de meus personagens com trabalho árduo de testar todos meus limites na prática de exercícios físicos, nesses momentos meu personal diz – hum... jogou duro no treino!
Acho mesmo que aprender a amar e (des)amar é uma questão de treino cuja prática não estou condicionada. Falar de amor abre comportas que ainda não estou preparada. E como a palavra escrita tem grande ar de veracidade em minha vida, vou cantar as palavras de minhas conquistas, só assim acredito e não esqueço a missão de meus dias... Porque a palavra tem um poder de magia como a de qualquer bruxo. É capaz de reinventar seu mundo ou asfixiá-lo, a determinação de qual lugar você deseja ocupar nesse estágio é, só sua: Canalize sua energia, bruxinha!


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