martes, 10 de mayo de 2011

A águia da Juventude

Um dos princípios básicos que o professor aprende antes de entrar em sala é que a aula não pode ser nem muito fácil, nem muito difícil, pois, caso assim seja, o estudante perde o interesse pela natureza do conteúdo apresentado... Eu sempre fui uma estudante nesse estado, já que a um não domínio do problema manifestado, prefiro abandoná-lo, desse modo, foram poucos os professores que alcançaram o equilíbrio em suas classes e se imortalizaram em meu cognitivo e itinerário.

A discussão sobre a participação social dos jovens na sociedade me remete à premissa de que é necessário um convite amável à mudança à juventude. Com imposições ou ignorância, eles farão como tantas vezes fiz... Dar as costas para o problema para que outrem resolva. Vivemos em um contexto de muitas transformações sociais, políticas, econômicas. Contudo, vemos, na maioria das vezes, os problemas passarem aos nossos olhos ou ouvidos pelas ondas de rádio ou tevê. Daí, pensamos que não precisamos nos envolver. O menino que bate ao vidro do carro, se tornou mais um marginalizado que pode até tocar-me momentaneamente, mas não é um problema é meu. Onde estão as autoridades? Daí, começamos a construir uma árvore genealógica do político atual a sua enésima geração para culpá-lo. E nosso papel?

A juventude precisa contestar o discurso que a fizeram crer que ela pertence a geração nascida sem asas, ela é uma caixa de surpresa que precisa ser motivada para integrar-se e transformar. A história é precisa em mostrar-nos que quando a juventude assume seu papel ativo no social, é capaz de promover a mudança. A instância mais elevada do poder – a presidência- foi abalada por uma manifestação de jovens na década de 90. Isso mostra que a recriação de nós mesmos é possível, recriarmos é uma necessidade que deve ter apoio nas artes a fim de expandirmos o eco de nossos ideais. Cazuza já cantava “ideologia quero uma pra viver”. Somente através da participação social, conseguiremos fazer valer nossa cidadania. Nós, enquanto jovens, precisamos nos mobilizar. Nesse sentido o papel da escolas, dos grêmios, das ongs exercem crucial importância nesse processo de mudança. Como veículos facilitadores das trocas de idéias entre grupos. Vale destacar que o advento da tecnologia contribuiu bastante para interação dos jovens sem necessariamente exigir uma fixidez do indivíduo num lugar. Basta a rede e em uníssono os jovens fazem valer seu grito.

Precisamos, enquanto jovens, lembrar-nos cotidianamente do livro A águia e a galinha de Leonardo Boff. Nos criam como galinhas, mas trazemos a águia dentro de nós. Eu acredito nisso. Foi numa ong, que tudo em minha vida se transformou, tudo passou a fazer sentido, a literatura, o jornal, a carta aos órgãos de poder, a gente vai descobrindo-se com voz, vai identificando nossas asas e quando tentam cortá-las.. Ah, já é tarde a águia quando mergulha no seu vôo de liberdade, não mais aceita migalhas para galinhas...

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