Existem fases da vida que são mesmo inesquecíveis...
O colégio, os amigos, os ideais... Desde pequena, sempre quis estar metida em conversa de adulto, conforme se dizia... Então, vi os noticiários mostrando a juventude ocupando as ruas na década de 90. Para mim, era um tanto estranho, tanta gente nas ruas de caras pintadas, a tinta reluzia menos que a vontade de fazer mudança expressa nas caras de meninos e meninas, o querer transformar, tornar o país menos corrupto e com melhores condições de vida. Nesses olhos eu via pela televisão lágrimas, eu via vida.
Mais tarde, na escola, ouvi muito sobre os jovens na ditadura tentando driblar as imposições do governo com todas as manifestações artísticas, possíveis e impossíveis para manifestarem seu pensamento. Isso tudo em momento em que era proibida a liberdade de expressão, contrariar o governo podia gerar tortura, ou qualquer outra forma de exclusão do sujeito, como o exílio. Contudo, o processo antidemocrático não conseguiu impedir a forma de protesto encontrada por tantos artistas. Traduzem esse momento sombrio vivido pelo país os grandes como Chico Buarque, Caetano, Gil, Elis Regina e tantos outros.
Hoje quando me pedem preu refletir sobre nossa geração e sua chegada ao vestibular sinto uma sensação de esvaziamento. Porque faltam ideais, faltam valores. Infelizmente, o jovem desse tempo, é muito influenciado pelos valores capitalistas, individualistas de sua era, e daí fazer a diferença nessa perspectiva é mesmo um processo árduo. Fazer vestibular para ganhar dinheiro é um projeto de vida no mínimo lucrativo. Mas nos perguntamos será que é apenas disso que o país precisa?
Necessitamos de muitos Ernestos Che Guevara, para nos ensinar como se faz medicina, para nos ensinar o processo de reumanização das ciências na prática. Ás vezes me parece que aprendemos muitas fórmulas para aplicar ao nada. Por isso, o Raul já cantava “ Mas todo mundo explica, explica Freud, o padre...”. Mas quem faz diferença?! Quem vai às ruas? Quem protesta? Quem dialoga com o povo e suas necessidades?! É importante ter o domínio das carências de nosso povo para entrar nas universidades, ou ao menos, é isso que ela espera do candidato nos processos seletivos. Para mim, isso não é difícil, pois a história já nos provou que é das adversidades, que saem as artes, como ilustrou o exemplo da ditadura. Logo, fazer a diferença é uma necessidade que nossos jovens devem estar engajados.
A partir de todas referencias de tantos sujeitos sociais que mudaram a história acredito que vale acreditar que uma andorinha só faz verão! Então, não há quebra-cabeças complexo, se entendermos a pulsão que caracteriza a juventude precisa ser bem canalizada. A formação dos jovens tem que ser pautada em valores de solidariedade e companheirismo. Abraçarmos a campanha do coletivo faz a diferença tanto nos nossos projetos individuais, quanto nos da maioria. Se entendermos isso, nossos dias serão como os da infância, ternamente de verão. E para a história do país esses momentos serão inesquecíves....


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