E se fosse tudo conto de fada...
Era uma vez A Branca de Neve e os sete anões... Tudo podia ser lindo se sua madrasta não lhe lançasse o feitiço da maça e ela adormecesse por longos e longos anos, até que um belo príncipe atraído por sua beleza a desperta e a beija, e os dois são finalmente felizes para sempre. Ao fazer a releitura desse conto na minha era pós moderna, imagino como se configura o amor na nossa era. O que é ser feliz nesse cenário? Encontrar o príncipe encantado? E onde ele estaria, no palácio ou no ciberespaço?!
A busca pela felicidade no amor tem sofrido muitas mudanças nos últimos tempos. Aonde que a Bela contaria com o apoio da ferramenta computador e da rede pra conversar com seu amor? Seguramente, se fosse nos dias de hoje, a Bela tomaria um susto com essa onda de relacionamento romântico via net e com os novos padrões de ética da sociedade off line. Já que é sabido que a internet modificou o domínio romântico. Hoje com tantas alternativas de interação na rede, difícil mesmo é quem não interage. Um email de amor ou de amizade é cada vez mais freqüente na intimidade de cada um. Assim, houve até uma flexibilização no que se entende por traição.
Possivelmente, a maça envenenada pela madrasta teria outra ou outras candidatas a esse personagem nesse tempo em que vivemos, já que a noção de exclusividade romântica cada vez mais cede espaço ao relaxamento das tantas normas sociais, como as que circunscrevem o casamento. Qual o marido ou a esposa que não tem aquele amigo virtual e é surpreendido por mensagens matinais? É a tecnologia promovendo a felicidade nas relações. Pois, alguém já havia dito que todos precisamos de uma amante, não precisa ser físico, pode ser um bem, ou uma matéria, uma idéia. Algo que nos arranque da postura de conformismo e nos devolva o brilho do olhar assim, como o dos apaixonados – A Bela e o Príncipe Encantado. Precisamos estar motivados.
Uma das dúvidas que geralmente temos nos amores virtuais é sobre os efeitos psicológicos entre o amor convencional e amor on line. E pasmamos ao identificar que as emoções tanto de ciúmes, como de desejo são reais. Evidente que a internet enconraja outros tipos de troca de relacionamentos. Os tímidos que o digam. De modo que o papel do da imaginação no relacionamento on line é consideravelmente muito maior em comparação com o real.
Assim, atesto que o amor segue sendo importante na construção da felicidade das pessoas. Estas só precisam ficar atentas onde o príncipe ou princesa fica, cuidar das relações em rede e as da vida (real), é uma necessidade. A constituição do indivíduo se dá na interação desses domínios on line e off line. Só assim, conseguiremos ser felizes de verdade, e finalmente poder dizer inúmeras vezes a parte do “felizes para sempre”, com a convicção de que “sempre é tudo que agora se faz eterno”, como nos ensina o mestre baiano Saulo Banda Eva.


1 Comentarios:
"Eles se amam de qualquer maneira, vera
Eles se amam e pra vida inteira, vera
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá", dizem Milton/Caetano em refrão da música Paula e Bebeto, numa inesquecível saudação poético-musical ao amor. Uma apologética do amor.Na rede: ama-se e engana-se, frustra-se e completa-se, virtualmente se realiza, realiza-se virtualizando. Mas o olhar na retina do olho alheio...quanta imaginação.
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