Como eu me sentiria se eu participasse de um campeonato análogo ao da fábula do coelho e a tartaruga?
Todos a ouviram na infância, ao menos uma vez na vida, após iniciada a corrida, o coelho sai em disparada, ao se aproximar da linha de chegada, decide parar pra descansar, já que a tartaruga é tão lerda e dele vitória era certa. Eis, que nesse momento, o coelho cochilou e a tartaruga cheia de elegância, desfilou, e ganhou a competição. Moral da história – o esforço pode vencer um talento natural.
Eu já participei de muitos campeonatos, mas são poucos os que dão mais gosto na competição. É preciso que haja algo de ligações químicas, é preciso que haja combustão. A aproximação das moléculas tem que resultar de processo de interação, quiçá uma força de atração e repulsão. Embora eu não entenda muito bem de química, creio que era isso que acontecia entre a gente. Um sujeito diferente, que promovia em minhas condições ambientes correntes elétricas diversas! Um jogador como poucos, eu podia amá-lo ou odiá-lo, e ele permanecia dentro das regras do jogo. Desse modo, atestando-se como um habilidoso coelho, e eu sabia, e me divertia vê-lo em seu novelo para a apreender-me.
O coelho só não sabia que minha lerdeza característica resultava de uma atividade imaginativa muito prazerosa, quiçá minha ocupação mais gostosa. Desde o princípio nos definimos pelos extremos dos pólos – teoria e prática. O que ele não sabia era que qualquer ponto da partida que permanecesse no primeiro pólo me favorecia. Daí, eu retomava ao meu jogo predileto de escritor, em organizar as coisas do mundo real ou concreto a partir da brincadeira com as palavras. Era preciso reconhecer seu valor, ele quase ganhou, assim como o coelho, também... Bastava um lance prático, e estaria para sempre silenciada a sua maior adversária dos últimos tempos.
Em homenagem ao a esse animalzinho que de longe inspira aproximação e de perto repulsão, me agradaria dizer que o amor continua sendo o elemento de minha tabela periódica de maior predileção. Falar em amor me inspira paixão, solidão, revelação. E jogar com ele, foi uma das melhores coisas que já me aconteceu, porque descobri que as forças de cargas iguais se repelem. Assim jamais o açúcar advindo do alto (pedestal romântico) teria pra mim o mesmo sabor... É preciso esse jogo! E se a aflição o persiste acerca da minha possível renúncia em brincar (escrever)... Posso tranqüilizá-lo! Segundo os especialistas nunca renunciamos a nada... É difícil pro homem renunciar um prazer que já experimentou. Aquele olhar de onde a poesia vinha...


1 Comentarios:
Isto é uma provocação deliciosa.
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