viernes, 13 de mayo de 2011

Quase um adeus!

Não é porque a música de Jorge Vercilo acabou, não é porque minha cabeça doeu ou meu time não ganhou, não é nada disso, e, dessa vez, nem foi meu coração quem vacilou! A serenidade bate em meu rosto, e vou sentindo aos poucos a força se desfazendo. Agora sem muso e sem o sol de dezembro, eu vou “sem lenço, sem documento”, sem motivação e sem violão. Meu instrumento preferido que infelizmente não habita meu corpo vão. Hoje eu podia falar de muitas coisas de poesia à teoria da relatividade, falar das minhas descobertas em tantas esferas e conquistas de tantos espaços, mas hoje o silêncio do mundo me encerra. Meu desejo é de manter as portas abertas, quando são tantos os anéis que me encerram. Sinto-me aprisionada pelas próprias palavras. Sei que o tempo nesse cárcere pode elevar a radioatividade e asfixiar-me.

Oh, que pena, morrer menina tão linda, diriam uns, era uma pessoa tão boa e sem problemas, diriam tantos outros. Todos são normais até que adentram seus países. Ela, hoje, só hoje, estava triste... Não queria remédio, não queria prece... Atualmente era tão raro entristecer-se que acreditava que o sabor era de embeber-se com direito à ressaca, queria curtir o avesso da sua alegria evasiva e transitória. Desse seu sabor bobo de vitória. Hoje não havia príncipes, nem reis, hoje era apenas uma donzela a vagar pelos becos escuros de seu mundo. Sentia muito mais medo de sua solidão, que da escuridão. Escuridão que aprendeu a domesticar, manuseava os objetos à disposição de seus dedos, sabia apenas que era preciso cuidar das pessoas se não elas esmaecem como as coisas. De resto, dinheiro, valores, eram supérfluos.

Hoje estava de braços abertos, num silêncio indizível, todos que passavam identificaram nela uma celeste calma, quase a confundiram com um anjo. Somente quem conhece sua efusiva excitação e seu saltitante coração sabe que momentos de paz naquele rosto de tão belos contornos era mais sinônimo de preocupação, que de contemplação. Ela se despedia da vida, nessa noite. Sem morte, sem ardores, sem nada que pulsa, nessa repulsa que a ameaça nesses últimos momentos de existência poética. Quase um adeus!

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