Despertava de mais um sonho, como personagem de
Sonho de Uma Noite de Verão. A sensação calorosa de que o vivido não havia terminado. A cama era convite àquele estado de prazer em desmedida. Reuni energias, espreguicei-me e lá estava diante do espelho, não para saber se havia outra mais bonita que eu, mas para confirmar minha beleza interior. Seria tão bacana se a beleza valorizada nas sociedades fosse aquela encontrada no sorriso de soslaio, no olhar desinteressado, ou aqueles sem nenhuma altivez. Assim, envolta nos pensamentos revivia mais uma vez...
Na praia marcada, lá estavam eles. Como tantos outros encontros, eles poderiam esperar quem falava a primeira palavra. Mas não, ele a olhou e ela com seu brilho de fada ensaiara o fragmento da canção do momento, aprazível àquele instante –
" Arrumei a casa, preparei o coração, esperando tua chegada tão sonhada...”. Ele sorria, embora a denominasse de poetisa, não conhecia sua versão cantante. Ele surpreso, logo disse, que voz linda, Dri. Nunca cantaste pra mim. É verdade, a Dri pouco cantara para ele. Mas é que tudo na vida exige seu momento. E o canto era simbologia de muita alegria, expresso pela alma da poetisa, quando havia muitas convivas de sabedoria por instantes de coragem.
Ele a analisava minuciosamente. Incrivelmente, nada havia mudado. O sorriso lindo, o olhar tímido. E um abraço aconteceu, assim como o amor ocidental de Julieta e Romeu. Naquele momento, parecia mesmo que as coisas não sabem as força que tem quando precisam acontecer, como diria Caetano. A brisa, o mar, o ritmo de um amor, por vezes, tão desencontrado, mais em comum o estado de paixão, querer, ilusão dos jovens apaixonados.
A Dri fitou o Carpe e em palavras em tom baixo lhe disse –
O meu amor nasceu de uma brincadeira. Tudo na vida é ilusão e só a ilusão é verdadeira. A verdade é mentira porque é o comum, o vulgar. Amei-te querendo fazer desse sentimento uma parada de gozo super fino em que ambos nos esforçássemos para dar a cada um a ilusão. Nunca se desengana uma mulher porque não se mata a ilusão. Eu amava um ser idealizado, que seria chocante se fosse verdadeiro... Nunca, ingênuo rapaz, queiras ser verdadeiro nas coisas do sentimento que ama a ilusão.O Carpe, então, percorre suavemente as mãos pelo rosto de sua bela e diz – cara Dri, jamais desenganaria uma mulher como você. De todas as noites, as mais preciosas, foram as que tive o perfume das rosas em minhas mãos. Todas me remetiam a você, assim como em todos carnavais em que minha fantasia preferida era estar contigo, desperto ou dormindo, inspiraste meu sono. E justamente por irrigarmos, ou cultuarmos, essa ilusão que hoje mais uma vez reitero o verso daquele que outrora foi nosso hino preferido, “
Pra que te espero de braços abertos se você caminha pra nunca chegar, te esperarei eternamente...”. E como tantas vezes tentei te dizer... Você é e sempre será a minha Dri, minha pequena Eva...
Aquela manhã, o espelho jamais conseguiu ser fidedigno ao que se apresentava em face e corpo da Dri. O espelho acentuava o sorriso bonito, o olhar brilhante. Mas aquela alegria contagiante de quem reencontra o grande amor o espelho não mostra. Porque essa beleza, não está à mostra, está para ser descoberta à medida que abrimos janelas de nossas alma e descortinamos nosso sentir. Assim, que se viva o porvir em sonhos de noite de verão e de todas estaçõesssss!