miércoles, 27 de junio de 2012

Chácara Aracaju (São João 2012)

"O homem civilizou-se, mas continuam nele os olhos destrutivos?"

A civilização constituiu importante processo no desenvolvimento humano. Contudo, por vezes, a civilização não foi sinônimo de mais humanização entre os homens. Os efeitos dessas relações são cada vez mais sentidos pelo planeta e por aqueles do nosso tempo. O desenvolvimento em sociedade impulsionou o homem a realização de grandes feitos para a humanidade. É possível perceber que movidos pela curiosidade os homens foram capazes de realizar inventos desde o advento da roda a foguetes que permitiram a ida do homem à Lua. Em muitos momentos da história, o homem tornou-se deus de si mesmo, vencendo os mistérios dos mares e empreendendo a expansão marítima; descobrindo medicamentos como a penicilina, que proporcionaram ao homem viver mais. Desse modo, constata-se o poder de criação do homem em sociedade e sua capacidade de criar condições adequadas de desenvolvimento. Em contrapartida, nem sempre o homem utiliza sua sapiência para desenvolvimento das nações. É possível identificar os olhos destrutivos do homem, quando este se dedica, por exemplo, a criar bombas atômicas que foram responsáveis pela morte de tantos outros homens em Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra Mundial; pode-se acrescentar ainda aos olhos destrutivos dos homens a ação predatória que os mesmos estabelecem em nosso tempo com o meio ambiente – consumindo desenfreadamente, sem dar o tempo mínimo de restituição do meio, bem como a apropriação do dinheiro público por parte significativa dos nossos representantes nacionais, quando são tantos brasileiros carentes de verba para explorarem suas potencialidades e contribuírem para a construção de um mundo menos desigual. Dessa maneira, percebe-se que desenvolvimento nem sempre foi sinônimo de humanização. Os homens precisam se dar conta do seu papel criador para mudar a realidade predominante, pois, caso assim não seja, daremos continuidade ao processo de “involução” que iniciamos, quando começamos a destruir a nós mesmos.

Chácara Aracaju (São João 2012)