Visitar-te já não me conferia o mesmo gosto de antes. Eu não
levava a esperança dos amantes, tampouco a crença de realização. Nesse sentido,
meu exercício era em vão. Carta de amigo. E eu não sabia escrever para amigo. Essa
coisa terna e passageira carente de paixão. Chama sem luz, vento sem brisa, escrever
para amigo dispensa rimas. E eu sentada ao fim de tarde perguntava-me a quem
endereçarei minhas cartas – e não vinha um eco do horizonte. Ou melhor, sempre
vinha... Por razões próprias, o coração não queria! Como a pulsão de escrever é
mais forte, voltava a visitar-te. Desconfiando de tua palavra, reconhecendo
cada silêncio nesse momento do jogo. Em que tu te sentes amarrado a um eterno castigo,
e eu deixo-me parecer tua bola em infinita partida. Mas é assim é a vida, sou
teu lance que te confere a sensação de gols, e tu não deixarias de sê-lo ao
compor minhas fantasias. Que me faz organizar essas palavras, que chamam por aí
de poesia. Então, meu caro, “ficamos assim”, como disseste em outro tempo. Nesse
jogo bobo, em que insistes em chamar-me de amiga. E tu, que divertes a muito,
pela preferência de ser apenas... Minha Poesia!!!! (rs)
Bom dia!