Meu maior medo – envelhecer.
Recordo-me de quando pequenininha eu olhava pra figura do meu avô com um estranhamento àquelas ruguinhas que, sem dúvidas, interferiram na nossa comunicação. Hoje, ao olhar pro passado, e compreender o eterno culto à juventude do nosso tempo, entendo como meu olhar naquela época foi afetado... Se ricos, celebridades, dos mais famosos ao anonimato envelhecem, que isso nos prova?! Isso revela que envelhecer é o estágio da vida alcançado pelo homem comum. E ao contrário do que nós ocidentais fazemos em rechaçar o envelhecimento, esconder a idade, nos condenar à inutilidade nesse período, deveríamos copiar os orientais e aprender a ver nas rugas o respeito e a experiência de quem viveu uma vida! Deveríamos encher o peito pra falar nossa idade. Eu sinto muito às vezes, por não ter compreendido isso na minha infância. Queria ter ouvido, compreendido, ou festejado muitos aniversários com meu avozinho... Mas hoje isso não é mais possível, ele na está mais comigo.... Sinto que a forma que tenho de ter o brilho do meu olhar devolvido, quando me refiro ao meu avozinho, está na compreensão do envelhecimento – como momento pleno e elevado de conhecimentos na vida do indivíduo. E se tudo é tão fulgaz... Passa tão ligeiramente, façamos de nossa mente um espaço mais inteligente. Mudanças importantes têm que ser feitas no hoje, para amanhã termos a real certeza de termos vivido e poder, de alguma forma, orientar as próximas gerações...

