domingo, 27 de noviembre de 2011

Olhos de Vidro

A beleza inexorável
Pairada no pensamento
Como vento se desfez
Em mil pedaços...
Estribilho danado em
Meu espaço!

Aquele brilho sonhado de tão longe
Já não reluzia como dantes...
Aqueles faróis, janelas estonteantes
Apagavam-se vagarosamente....

O novo chega e petrifica fantasias,
E aquele olhar que foi o farol anual
Agora é semáforo habitual
De minhas esquinas e avenidas...

Caminhando sozinha ou acompanhada
Tua imagem já não mais me visitava,
Desfez-se o paraíso e finalmente teus olhos vivos
Ontem tão penetrantemente lindos,

Hoje são nada mais que janelas de vidro,
Onde meu pensamento não mais adentra!
Vidros quiçá cortantes, mas não a minha esfera...

viernes, 25 de noviembre de 2011

I loveeee these song!!! MAx Viana

Exato Momento

preciso...


O amor precisa da sorte
De um trato certo com o tempo
Pra que o momento do encontro seja pra dois o exato momento
O amor precisa de sol
E do barulho da chuva
De beijos desesperados
De sonhos trocados da ausência de culpa

Talvez o amor só seja assim pra mim
E pra você não seja nada disso
Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso (3x)
Do jeito que for preciso, do jeito que for preciso, do jeito que for preciso...

Mas se o amor quiser mudar as leis do que é certo
Ele faz que o improvável aconteça
Quando o amor vier não tema, tenha fé
Que ele será seu olhar, esplendor e beleza

Talvez o amor só seja assim pra mim
E pra você não seja nada disso
Mas eu prometo tentar aprender a te amar do jeito que for preciso.(2x)
Do jeito que for preciso, do jeito que for

miércoles, 23 de noviembre de 2011

Fiquemos combinados?!

Surpresa não anunciada nessa manhã
Ah, que bom seria vê-lo todos os dias
Com a melodia de quem quer me ver feliz!

O abraço apertado lembrava o sábado,
Fez-se um dia lindo e em teu olhar
Passeei pelo horizonte segurando tuas mãos,
Sensação de deleite entre os corações...

Eu não vou revelar-lhe que sou poeta,
Difícil disfarçar o que tá em meu olhar,
Na expressão do meu beijo, do corpo ...
Não fique com essa cara de bobo!

Eu que fiquei surpresa com a visita inesperada,
Perdoe-me por não poder escrever-te nenhuma carta,
É que se não me apaixono por ti...
Daí deixamos de nos curtir por um iludir sem fim...

Sabe? Deixemos a poesia de lado, quem muito amo
Nunca falo e os que são beijados jamais poetizados!
Então fiquemos combinados da inutilidade da poesia
Arte nada concreta só criaria impedimentos entre nós dois!

Vivamos o que se apresenta e qualquer rima, se necessária,
Improvisamos depois...

Rascunho de um pensador

Todo pensador sonha com um dia
O dia em que teoria e prática coexistam
Seria a vivência de um ideal?

Não, volta, escreve de novo!
Esforço-me pra não escrever o imaterial,
Meu poema tem de ser visceral, real...

Mas o sonho insiste em permear minha produção,
Espero ansiosamente o dia do aulão de revisão
Não com físicas, matemáticas, mas com técnicas
Exatas de como acalmar o coração...

A busca por muita emoção me consome,
Já tinha me convencido de que preciso parar com isso,
Mas os impulsos líricos descarregam muita eletricidade
Nas correntes sanguíneas...

Se eu fosse um rio eu desaguaria meu desejo no oceano
Se eu fosse um jardineiro plantaria em muitos planos lindas rosas,
Mas como sou um pensador encerro-me em minhas teorias
Pouco gostosas, porque a prática é grande fantasia
em minha vida vazia!

martes, 22 de noviembre de 2011

Pensamentos


Passear pelos lagos que se formam à beira dos vulcões adormecidos pode constituir grande perigo aos desavisados... Pois nunca se sabe o momento exato em que o vulcão começa a expelir lavas, contudo, jamais apreciará as águas cristalinas ali em volta, senão arriscando-se...

O vulcão ao longe em elevadas temperaturas e os visitantes, em suas medidas, a 1000 º de curiosidade! A natureza é benévola e protege os curiosos, Oxalá seja assim sempre!

Liberdade

Prostrado sob os braços negros da noite
O romântico admira o movimento da lua,
Torce e se contorce em dor ao revisitar lembranças
O romântico é um pobre em suas esperanças...

As estrelas no céu é um universo de metáforas
Para aquele que sonha com a mulher amada,
O dia, a tarde se fazem nada para o peito
Eclipsado por sentimento tão expansivo,

Meu caro amigo, se amas de verdade a alguém
Esquece essas bobagens ensinadas nos livros,
O amor não reúne nada disso de dores, ardores
Isso é coisa da inconseqüente e febril juventude!

Desconfie de tudo que te faça sofrer,
Quando amares de verdade vais te embevecer
Desse líquido raro que se derrama na alma
De todo aquele que ama ao outro, mas antes de tudo:
A si mesmo!

Resiliência

O homenzinho recém-chegado à cidade
Esboça largo sorriso com a terra encontrada
Edifica tijolo por tijolo lentamente,
Reúne a família em barraco de fada...

O barraco tem calor humano e frias paredes
Crianças e cachorros pelo chão e um bebê na rede
A família cresce sem timidez, não é nem freguês,
Nem burguês estão abaixo da linha da pobreza...

Linha que nunca foi vista a olho nu,
Mas que tem comprimido o sorriso do homenzinho
Antes alegre e comemorativo agora casmurro, tristezinho
Como pássaro que perde suas asas...

A casa do homenzinho é um dever que cisma sair errado
Todos os anos vêm as águas em riacho e levam-na...
E ele recomeça a construir tijolo por tijolo outra vez,
Com o sorriso simbólico de que dessa vez será diferente!

sábado, 19 de noviembre de 2011

O Novo Halley

O novo era feito centelha de luz no seu firmamento,
Ainda não sabia se daria certo ou errado,
Mas o contento de ver o novo e o brilho irradiado
Em sua esfera individual tornava seus olhos cintilantes
A estrela brilhante fazia Dalva seus olhos negros!

Seu céu de poesia se preparava para viver o novo
Ainda não sabia se queria abrir mão de sua liberdade
Mas,de que valia estar livre se sempre estava aprisionada?
Esse trazia alguma coisa no olhar que a fazia reluzir
Talvez a capacidade de refletir a si mesma...

Ela sabia que não podia criar muita poesia.
Afinal não é dessa matéria que é feita a vida,
Ela se conhecia, quanto mais poesia, menos realização,
Mas aquele olhar a fazia perder-se isso não era ficção!
Não acreditava, mas sentia-se maravilhada,
Por aquele céu de anil que se dizia apaixonado...

Ela sorria porque amava o novo, mas era atada ao passado,
A constelação que lhe visitava vinha de longas datas...
Coincidentemente nesse momento ela estava só de corpo e alma,
Eis o primeiro encontro, hoje, sábado, e que seja lindo
Como o cometa que cruza o espaço causa alaridos, surpresas,
E, que quiçá gemidos de contentamento nos observadores!

viernes, 18 de noviembre de 2011

UN DÍA SIN TI - LAURA PAUSINI

Travessia individual

Se agradar ao leitor, era a premissa dos escritores da época, tudo indicava que Ana não seguiria esse ofício. Embora amante das letras, ela insistia em contrariar aquele que a lia com seu estilo ultrapassado de romântico pós-moderno. As críticas advinham dos pontos mais eqüidistantes da terra. Mas, parece que Ana estava mesmo a fim de atender aos seus interesses, impulsos líricos, que atender às necessidades do seu público consumidor.

A explicação para o comportamento de Ana não reunia nenhum tipo de complexidade. Ela entendia a exigência dos amigos no tema da sua escrita como uma limitação de sua liberdade. E, nesse sentido, era irresoluta com o querer coletivo, já que para Ana a perda da liberdade é um processo gradual na vida do sujeito desde que nascemos – a restrição no pensar, no dizer, no comportar-se - individual, familiar, social. Uma vez adultos, restavam poucas formas de ser livre, o trabalho? As idéias proferidas nos centros acadêmicos? Tudo é limitação!

Na escrita, Ana encontrava o pôr do sol dos apaixonados, o sorriso afável no semblante do recém-nascido ou a palavra sábia do ancião. Quiçá, um dia ela ouvisse o conselho dos amigos em escrever sobre o PIB do país, o aumento da inflação, a marginalização de crianças e adolescentes, o aumento da desigualdade, o aborto, as redes sociais, a alteridade (..). Um dia podia fazer isso. Mas ela pensava sempre consigo que tanto gente vinha fazendo isso há anos? E o que havia resultado?

Dessa maneira, Ana escrevia de modo egoísta? E que romântico não o é? Ana escrevia para limpar a vidraça do seu ser, para fazer o motor frio do seu carro aquecer e irromper com essa inércia, própria dos veículos cansados das trajetórias percorridas na vida. Escrever era uma forma de imortalizar seu olhar sobre o belo, sobre o novo, sobre o porvir. O conflito com a opinião alheia antecede à própria escrita de Ana, mas o conflito gera desafio, e este estabelece o sentido de viver.

Ana estava mais uma vez diante do portal que separa os dois mundos no plano mágico – seguir ou silenciar. Ocorre que o silêncio, em curto prazo, mais fácil, já foi adotado por ela em outros tempos, tempo em que entristecida pelos cantos, nada a fazia suspirar. A recordação disso a fez lembrar da importância de ouvir a voz interior. Escrever estava dentro da esfera dos seus sonhos. E lutar por eles, era cultivar as janelas do seu jardim e a qualidade do seu oxigênio. Contar com um ou nenhum leitor era uma possibilidade, mas encontrar sentido para vida era tornar a travessia mais agradável de ser navegada!

jueves, 17 de noviembre de 2011

Dica

“A expectativa do que será muitas vezes é bem melhor que a realização do que esperávamos”

Dica havia descoberto naqueles últimos meses de ano tão generoso em sua vida que a empresa do coração lhe gerava poucos benefícios e muitas dores de cabeça. A grande questão é que aquele era o único negócio que Dica sabia, ou melhor, devia saber gerenciar... Os sucessivos insucessos nessa área demonstravam que era hora dela mudar de ramo, sobretudo nessa fase da vida - em que a beleza natural dos anos juvenis – contribui com facilidades convidativas para o ingresso em outras firmas.

O leitor bem informado já deve ter percebido que Dica era mais uma leitora romântica de conto de fada, que esperava encontrar nas relações reais o correspondente de suas fantasias. Tal desejo, no entanto, embora sempre revestido de novidades, era sempre desconstruído pela imprecisa matéria que constitui as relações humanas: a do interesse único e exclusivamente carnal pelo outro, desprovido de sentimentos puros e verdadeiros.

Dica era uma mulher morena, típica dos contos realistas/naturalistas, imprimia os desejos mais lascivos nos homens de seu tempo. Tudo na pele dela era convidativo: a cor, as curvas, as pernas torneadas, lábios carnudos, que inspiravam beijos de muito desejo. Mas, como a empresa do coração parece construída de areias movediças – o que sobrava no corpo – faltava no comportamento – coragem, atitude e vivência com os rapazes que a envolviam. Assim, Dica, como todos iniciados no ritual de amores, envolveu-se com a poesia e dedicava horas na construção de imagens textuais que careciam mais de vivência que de rima. E foi assim por dez anos, a cada rapaz que Dica conhecia, tratava de imediato de cristalizá-lo em suas produções. Preso ao papel, este oscilava de gênio a muso. Desprovido das características reais de másculo, desejoso de tocar pele tão atraente, os musos eram engolidos pela ação do tempo em variação imprecisa. Mas, como diz o dito popular – tudo tem seu tempo...

Hás de recordar o que foi dito sobre as dores de cabeça de Dica. Essas advinham dos conflitos dela com a caneta e o papel, já que aos seus musos quase nunca lhe eram dadas oportunidades de fala. Contudo, o último muso, possuía característica de um herói épico, diferentemente dos descorados musos anteriores, esse tinha uma cor que inspirava os desejos mais ardentes, reunia uma força hercúlea, e em oposição a todos, este jamais lhe escreveu uma linha, jamais lhe disse uma frase de cortesia e Dica viu que, finalmente, era necessário dar vida aos seus escritos, colorir sua coragem e conquistar tão indócil coração. Ocorre, como dizem, que coração do outro é terra de ninguém... E, embora entusiasmadíssima para participar daquele empreendimento, o senhor daquelas propriedades já havia elegido sua senhora. E, Dica, finalmente, convenceu-se do conforto de seus escritos! Por mais tristes, tinham sempre final feliz.

Dica está agora cada vez mais envolvida em sua escrita. Quase nada a tira de sua concentração. Pobre Dica, tão bonita e devota à solidão daqueles que esperam da noite um clarão que promova a mudança, quando a mudança está na simples decisão de dizer SIM pra vida e NÂO pra essa solidão que acomete poetas e artistas nessa imensidão que é viver. Dica precisava entender que não há mistérios a dica é – deixar fluir! Não se evadir, mas permitir que o novo aconteça e permaneça em sua vida a cada amanhecer.

martes, 15 de noviembre de 2011

Cartas de Amor (dialogadas)

“Quis acreditar até hoje que fosse ilusão, ou um sonho mau semelhante casamento; Agora sei que não é possível duvidar da verdade. Pois quê! Tudo te esqueceu, o amor, as promessas, os castelos de felicidade, tudo por amor de um velho ridículo, mas opulento, dono desse metal vil, etc, etc.” ( Assis, Machado. Cinco Mulheres)

Aquela tarde, em que por acaso, descobri seu status de casado, desfez minha poesia. Para quem eu cantaria os meus cânticos mais românticos? Quem eu pintaria a cada entardecer?
As noites, antes tão esperadas, agora não raras, eram sinônimos de sofrer, sem te ver...

Eu esperei o passar dos dias, como quem espera o campeonato do seu time favorito, havia ansiedade, havia confiança no meu espírito de que o veria e que todas as palavras não ditas até então se fariam poesias. O nosso encontro tão adiado seria como o show esperado, o momento glorioso do artista, ah no ápice da minha espera, veio-me a despedida. E eu entregue aos mantos da saudade tive que entender com suavidade que tudo não passou de uma grande brincadeira, um acaso, ou quiçá um mal entendido.

Tudo que eu esperava era um idílio, que você não podia corresponder. Dentre muitas razões, você tentou, mas não conseguiu entender o porquê de minha sublimação a tua tão simples pessoa. Você até confessaria que se buscou tantas vezes no espelho, a fim de encontrar a resposta de minha inspiração, casou-lhe medo, não mentiria, aquela constelação. E a constelação vista em meus olhos e em minhas palavras precisavam ficar pra trás, como o caminho, o rastro que deixamos na estrada de chão de algumas regiões da zona rural. Aquela história já havia se estendido em demasiado, como elástico desses que os meninos brincam nas ruas. Você não era um anjo de candura, era um homem, não mais disposto a participar dos contos de fada de menina tão encantada.

Que ela chorasse, era uma possibilidade, como tudo que passa, que seria do orvalho se as estrelas não chorassem, que seriam dos rios ou dos mares, se as nuvens não derramassem o seu descontento? Ah, menina, você foi como um vento, e eu não podia negar que com contento, li teus textos todas as madrugadas, palavras doces e muito esperadas.... és jovem, eu sabia que você a muitos encontraria e muitas vezes dizeria que se apaixonou e escreveria tantas cartas de amor. Mas o que sei é que teu coração ninguém nunca tocou e eu sabia que não o tocaria, porque sei que o teu amor, não está em mim, mas em tua poesia. Eu podia te encontrar e te beijar como desejas, faria do nosso encontro só emoção, faria encarnar em tua pele o prazer de outro corpo e num endosso de prazer acreditarias teres encontrado a felicidade, mas tudo são vaidades... Eu sei que por mim não te apaixonarias... Como te aconteceu a tantos!

Era importante que soubesses que a distância não era uma imposição minha, eu permaneceria por muito tempo perto de ti, mas isso a confundiria, assim como sei que agora estás. Dormes, descansas. Leva tempo para vencermos a esperança, o amor, as paixões da juventude. Ainda tens, como sempre digo “todo tempo do mundo” para saber que amor é uma das maiores invenções humanas, que justificam as penas da existência. Limpa as lágrimas de tua face tão serena e “carpediem”, aproveitas a vida que passa! Não esperas pelo amor, este está em tua alma.

Encontra-te com outro corpo e vai te descobrindo, barra todo pensamento que diz que o príncipe já vem vindo, e curte, porque a vida e a mocidade são breves e que levarás para a eternidade são apenas lembranças do vivido, não um idílio romântico, nem prantos, mas marcas reais de satisfação!

Do seu mais estranho amigo X.

Sina dos apaixonados

Percorrem as favelas crianças,
A idade em contraste com as armas,
A paz da comunidade pouco a pouco
Furtada...

Percorrem as vielas do meu ser
Sentimentos românticos,
Persuasivo sentir vão, silencia o viver
Consome a esperança, anula a razão!

Entre os meninos das favelas e minhas vielas
Vejo um ponto em comum...
Os meninos arrancam vidas ao passo que são suicidas
Os sentimentos românticos arrancam a vontade de viver,
Entregue ao sofrer próprio dos apaixonados,
Tenho a sorte e o prazer usurpados;

Sou quase capaz de achar que o menino é mais feliz
A dura condição de vida o levou pra onde não quis,
Enquanto eu fui pelo próprio poder de decisão
Por acreditar que ser amada não podia ser ilusão...

Armas, tráfico, meu coração não experimentou nada disso,
Devotou-se ao suplício daqueles que se aliciam por querer,
Se viciam por prazer e insistem em ser usuários dependentes
sob o slogan de que consomem por acaso...

Isso é que é raro uns por vontade própria, outros induzidos
Pela química, no fundo, no fundo as duas drogas são sem serventia!

lunes, 14 de noviembre de 2011

Gravidez Social

Barrigas desfilam pelas ruas,
Cujas mães desconhecem a felicidade
Não apenas pela ausência de dinheiro,
mas por faltá-las idade!

Barrigas desfilam pelas ruas,
Vacilantes esperam alguém,
Como é possível oferecer a outro
Aquilo que não se tem?

Barrigas que levam vidas,
Sonhos que mudarão o mundo,
Falta de oportunidades,
Faz do sonho infecundo;

O peso da barriga é o peso de viver
Pensam nisso depois do prazer acontecer,
E assim lotam as maternidades,
Os becos de pernas,
Subempregos como moradas eternas!
São engendradas esferas mais desiguais...

A felicidade é feita de cristais frágil, frágil...
Jamais tocada, apenas tangenciada
Pelas mãos generosas da vida,
Ah, as barrigas...

domingo, 13 de noviembre de 2011

Embarcação

O barco se aproximava da praia
Por onde o pescador andava?

Entre a areia e alto-mar um mundo entre eles..
Entre o que eu tinha e minha vontade de mudar
Um universo se transpunha em deveres...

Quantas espécies revelava o oceano?
A diversidade não se contemplava em meus planos?

E o pescador mergulhava para voltar-se a sua amada,
Quando eu voltava ninguém nunca me esperava...
Como sereia solitária, eu repousava em rochas
Aquelas as que eu devia as noites mais gostosas
Da infância, com esperanças, sem amores pueris!

Como o pescador meu alimento está sempre muito distante
Por isso meu passo errante que nunca indica minha volta,
Estou a deriva há algum tempo, sem respostas...
Com o azul desse mar que muda a cada hora!

sábado, 12 de noviembre de 2011

Aprendizagem!

Dias desses na roda de amigos,
Alguém disse que queria ficar comigo,
Falou da água, do ar, do infinito...
Eu,farta de romantismo, falei-lhe:
- Para ficar contigo só num dia de carnaval...

O tempo passou, nosso amigo não mais apareceu,
Alguém ainda brincou - será que ele morreu...
Essa semana, em que ninguém tinha grana e não saiu de casa
Chega em minha sala aquele menino...
Muitos quilos mais magro,

O Marquinhos perguntou – a que se deve esse estado?
Ele pausadamente, com os olhos fixos nos meus, respondeu:
- estou preparando-me para o carnaval!
Em festival todos bateram palma....
Menos eu, enrubrescida, pensava que vendi minha alma,
E devia ter muito cuidado com as palavras lançadas ao acaso!

Conflitos

Na construção de minha poética
Tem sempre alguém a opinar,
Descreva o horizonte,
O desconhecido, fale do mar ...

E vos pergunto a razão do meu penar
Onde está a emoção de cantar o que não há?
O que jamais cintilou minha pupila?
Não suscitou desde o primeiro instante a poesia?
Não pulsou meus interesses?

A cantar um vaso vão, desses chineses, parnasianos
Prefiro encerrar meu canto!
E triste com os versos borbulhados em minh’alma
Morreria eu afogada em minhas próprias águas
Vendo tanta coisa a acontecer e o peito,
sem poder dizer nada....

viernes, 11 de noviembre de 2011

O jardineiro

O jardineiro trabalhava
Sob chuva, sob sol...
Trazia a cor amarelada na cara das nuvens em arrebol;

O jardineiro maltrapilho, barba por fazer
A beleza das rosas não chegou até você,
A dureza de tua vida,
Roupas, barba, mãos tudo indica
Os espinhos de teu amanhecer... .

O jardineiro cantava um lá- lá -ri – lá – rá- lá
As flores chegavam a embriagar aquele sujeito,
E a distância, o andarilho que o jardineiro não tinha visto pensava:
Como é cara e rara a moeda de quem decide agir direito
Nesse país...
É preciso vocação pra tanta resignação!

E se despedia do jardineiro, pois a caminhada é longa...
Com poucas flores e muitos espinhos...
Um dia a gente apreende o caminho emprestado
pelo jardineiro à beleza da vida...

Estrela

E agora que as horas iam altas
E eu sentia como nunca tua falta,
Pensava no caminho que escolhi,
Nas noites em que não dormi
A tua espera...

Esperei vacilante na janela,
Atenta a cada vôo que passava,
Nem uma noticia foi publicada,
Era preciso entender os fins,
De um começo com tropeços,
Em meu desejo muitas lágrimas,
Por alguém que desconheço...

Eu sabia que te perderia,
Desde o dia em que te vi...
Eu sabia que a gente
Não viveria o porvir,
Não andaria de mãos dadas,
Nem um pôr do sol,
Nem uma música cantada,

Como eu sabia tudo isso?
És mesmo uma peregrinação,
Minha alma feito ostra amanhece
Para o que lhe parece ilusão...
Mas não duvide eu amei,
E veja como são as coisas,
Em teu encanto de estrelas,
Vi teus cintilantes pendores....

Contemplei tua face,
Apreciei teu ritmo,
Imaginei-me dançando contigo
Com a desenvoltura de um bailarino,
Tua face hoje pra mim,
É como a estrela alta,
Nem aos dedinhos do pé
Meu corpo alcançava...

É um amor silencioso,
Devoto ao segredo,
Corrói a minha alma
E desenrola-se como novelo,
A cada dia sinto-me mais ligada a ti!

jueves, 10 de noviembre de 2011

O Mapa

O que eu mais queria:
Nesses dias de alegria,
Que antecedem as festas natalinas,
A concessão do mapa de tua vida...

Eu buscaria descobrir todos teus pólos,
Confesso que percorreria todas tuas linhas,
Descobriria pacientemente tua linha do Equador
Nem que para isso eu sofresse muita dor,
Se bem que maior dor que tua ausência não há,

Ah, como eu queria conhecer teus territórios,
Teus mares, oásis de muito prazer...
Ah, eu iria enlouquecer com essa cartografia,
Desvendar superfícies desconhecidas...

Ah, Papai Noel dá alegrias a tantas crianças,
E eu que alimento a menina que há em mim,
Não recebo um estímulo, um presente, um mapa,
Que me agrada!!!

Túnel do tempo

Eu nasci em outro tempo,
Sorvi outras paisagens,
Meu tempo preferido – a noite
Coração cortado de adversidades!

Eu nasci em um outro tempo
Chorei dilúvios por o amado
Ele viajava, eu ficava a esperá-lo...

Um dia desses de verão,
São Pedro, chaveiro da porta do céu
Concedeu-me por ser fiel um troféu,
Um passeio pela modernidade,

Confesso que não encontrei nenhuma fantasia
Tampouco a felicidade,
Encontrei amantes que só quiseram meu corpo,
Poetas que me desejaram com gozo,
E o realismo apagava o lirismo que eu trazia,

Os homens modernos não dispõem de alegria,
Esta necessária pra minha alma de outro tempo!
E assim sou cortada feito lâmina pela saudade,
Por aquele que partiu, de minha vida evadiu,
E deixou meu corpo marcado por tantas vontades...

miércoles, 9 de noviembre de 2011

Revelação

A festa da tarde reuniu vizinhos,
Parentes, muitas, muitas amizades...
A garota que havia foi celebridade,
Dançou com Quinzinho,
Rodopiou com Bené,
Todos queriam saber quem era aquela mulher,
Ela dançou todos os ritmos,
E não aceitou nem uma proposta dos meninos...

Pobres rapazes, ainda não sabiam
O coração da moça gira em direção contrária,
Bastava uma negação e ela aos seus pés se ajoelhava...
Mas eles insistiam em fazer tudo errado!!!

Âncora

Quem espera por um grande amor
Leva uma âncora na alma,
Vê a vida transcorrer com louvor
E a sua fixada...

Quem espera por um grande amor,
Sente um espinho na garganta,
A vida acontece, as andorinhas cantam
E no íntimo, a desesperança...

Ah, o amor é um incêndio salutar
Todavia âncora, faz a alma velejar,
A minha anda lá pelo Recôncavo...
E só um novo amor para resgatá-la de lá!

Êta, essa minha alma apaixonada...
Vive a atracar a cada amor que passa,
Se ilude e lá se vai outra vez ancorar!

Desilusão

Eu queria escrever uma canção,
Para ser aprendida por toda avenida,
E todas que a ouvissem pensassem
Como é grande o amor dessa menina;

Eu queria escrever uma canção,
Pra ser cantada por tristes e felizes
Seria por ti minha maior declaração
Do sentimento sem deslizes...

Eu queria escrever uma canção
Pra você de lá de outra cidade,
Sentisse uma grande felicidade
E viesse agradecer ao meu coração;

Eu queria escrever uma canção,
Cujos versos fossem a expressão do meu querer
Eu prometeria jamais te esquecer...
Penso em ti desde a aurora ao entardecer!

[Como eu queria escrever minha canção,
mas não consegui....]

martes, 8 de noviembre de 2011

Pluviômetro

Chovia tanto hoje em minha cidade
Carros, trânsito, adversidades,
Vi o mar e o horizonte feito brumas,
Pensei em ti, nossos dias de chuva...

Percorri o Rio Vermelho
Praça em que te vi por última vez,
Estava tão vazia sem o brilho de nossa sensatez
Nem o sabor do queijo quente,
Gentileza que você me fez...

As águas da chuva inundam terrenos
Invadem casas, promovem mortes,
Suas águas, meu passaporte preferido
Pra adentrar esse mundo de idílio
Que gosto e é só meu!

Amor, por que um dia você desapareceu?
Se sabias que eu não resistiria a esse temporal?
Se sabias que sem ti meu clima é tão normal?
Sem ti não sei medir o prazer existencial!

lunes, 7 de noviembre de 2011

Quadro

Tua face imagem que me habita
Musica que ainda toca aos meus ouvidos,
Ora anuncia paz, ora gera conflitos!

Passo horas revendo teu retrato
Ouvindo a música que você fez pra mim
Personagem eloqüente, um querubim!

Vivo o ardente querer dos mortais
Ao debater-me em harpas tão angélicas,
Se somos reais por que viver a espera?

Tua imagem baila em minha alma,
Em minhas notas o querer não se acalma
Desejaria o prazer, a volúpia de tê-lo comigo!

Lançaria ao oceano as brasas dos conflitos,
Esperar-te é um constante apagar as chamas,
É viver das cinzas frias, emoldurada pela ação
das lembranças...

Moenda

O homem corta a cana,
Mói a cana,
E vai pra zona urbana trabalhar;

O homem corta a cana
Mói a cana,
A mulher em casa a esperar;

O homem corta, põe na máquina
Tira o sumo, faz um barulho...
Copo, gelo e alguém cutuca:
- Que caldo mais caro!

O homem silencia, sem embaraço,
Mói a esperança cotidiana
E vai ganhar o sustento,
A cana cara ou barata, seu maior contento,
Enquanto isso vai moendo a vida...

Ciúme



O ciúme é como água do mar
Escorrendo de nossas mãos,
Sentimento, ameaça, sem dimensão!

O ciúme é salgado no céu da boca
Faz da lúcida irremediavelmente louca,
Intento de pertencer outro da espécie humana
O ciúme sem melodia, engana, arranha...

O ciúme varia a temperatura das relações
O aquecido faz-se gelado,
O que era consistente frágil,
E assim se dissolve nosso estado!

Queria poder te confortar
Prometer nunca mais olhar em outro olhar,
Ah, eu morreria sem ar...
Amor, quando te digo que te amo:

Não insistas, não compares, não questione
Seu espaço em meu peito constitui uma passione
Mas o meu mar reúne muitas águas,
Pará-las ou amenizá-las é comprometer a beleza
De meu oceano!

Você é a onda que faz meu mar tão bonito,
Não briguemos, formemos o infinito,
É assim que te vejo sempre em meus planos,
O indizível de belo, porque te amo!!!

viernes, 4 de noviembre de 2011

Primeiro porre a gente nunca esquece!

A noite foi das mais promissoras dos últimos tempos. E bebi, bebi incomensuravelmente.
E você me acredite, não havia nenhuma gente na rua, ninguém para testemunhar minha loucura, meu primeiro porre e todas as horas de transformações que me ocorreram. No espelho, vi a minha face refletida, bailei pela casa ao som da valsa, eu não era uma menina, era um rapaz, cujo nome não lembro, chamavam-me Tomáz.

Eu era conhecedor do mundo feminino, conhecia suas fraquezas e a necessidade de tocá-las não na superficialidade, mas no vértice de suas almas. Ah, eu fazia muito sucesso com as mulheres, meus amigos pediam-me preu ensinar a prece de existirem sempre tantas mulheres atrás de mim. Eu aprendi alguns versos, os decorei de cor, e todas as vezes que as encontrava, as tocava como a um violino. As mulheres gostam de serem tratadas como instrumentos – carinho, delicadeza e muita dedicação. Ter muitas, ou ter apenas uma, não importava, a validade era torná-las única naquela ocasião. A de maior contento, a que precede a minha conquista de predador. Claro, era sexo a única coisa que eu queria, bem como o que elas também queriam. A minha marca era tocá-las, para que jamais esquecessem que passei por suas vidas.

As mãos da amada eram onde eu demorava tempos na conquista. Após um beijo, uma carícia, estava seguro de que alcançaria as mordidas, que aquela pele tão atraente sugeria. Em cada mulher eu sabia das suas potencialidades, as extrovertidas, as tímidas, homem, uma diversidade! Eu sempre vi o gênero feminino como precioso sorvete, que promove o deleite de meus sentidos, o paladar, o olfato, o tato... Ah, inesperado, quando as tomava por seus cabelos e elas se despiam de toda resistência por inteiro em meu corpo tão ansioso, o gozo.

Eu descobri que quanto mais tempo eu passava unido ao corpo delas, mas alimentava uma espera que eu não sabia de onde vinha. Talvez, eu nunca mais voltasse a suas vidas, mas elas esperavam aquele abraço apertado de quem tanto amou. Não seria, uma incongruência oferecer seus lábios e corpos sem a menor a indolência? Não fazia sentido, o que elas pensavam ser paixão era o efeito de um idílio bem construído na tessitura do ser delas por elas? Por mim? Quanta ilusão!

Isso eu jamais poderia descobrir, eu não pertencia àquele tempo, àquela fase de gozos e vaidades. Eu era contemporânea e pagaria um valor muito elevado pela existência boêmia de outro século, em outro estado... Eu voltaria pra minha vida vazia e sem graça, acompanhada da dor de cabeça pelo porre tomado. Não sou homem, sou mulher e sem muitas alternativas pra conquistar. Tomaz tinha trabalho, era dedicado ao ofício raro de beijar, beijar e beijar suas amantes.

Eu não queria enumerar bocas delirantes de quantos beijei, queria apenas ter aquele ser, o qual sempre sonhei, junto à sensação de ser devorada com desejo, como um balinha icekis na boca desse sujeito, e derreter-me a cada provada. Aquele, que suscita gozos e gemidos, quando deveria falar aos meus ouvidos, ainda me cumprimenta e beija minhas mãos, sem nem saber que aquele ponto mágico é minha revelação. Gente, só mesmo depois de muita bebida, preu falar assim abertamente sobre minha vida! Os movimentos bruscos, ainda me doem... Há noites que são irrepreensivelmente inesquecíveis.

jueves, 3 de noviembre de 2011

Idas

Amor, quando te foste
Eu pensei que não viveria mais,
Sentir uma dor na alma,
Sentir-me o último dos mortais,

Eu não vou negar,
Que houve um ou outro olhar,
Um ou outro beijo,
Mas o meu desejo estava em ti
Por que partir?

Amor, quando te foste,
Eu não encontrei um verso,
Eu não encontrei lágrimas
O mundo pareceu-me patético,

Amor, por que te foste?
Eu sonhava com tua pele,
Eu sonhava com teu gosto,
Eu sonhava com a poesia
(declamada ao teu pescoço...)

E agora que o tempo há passado
E as escamas do meu corpo de sereia
Hão voltado, vejo meu estado,
Desejo de haver mergulhado
Em teu mundo e em corpo tão bonito,

Teu corpo esfera do meu paraíso,
E me pergunto – amor, por que partiste?

Almoço do ex-casal

Dividem a mesma mesa,
A sobremesa, riem sorrateiramente
Ele a olha como quem a espera,
E ela o vê tão indiferente...

Há alface no prato e amizade
Nas ações dela...
Ela sabia que aquela comida
Podia ser a sua favorita,
O clima agradável, a bebida
E um ritmo que podia ser levado pra vida,
Mas ela é teimosa mexe a comida,
Não gosta do que lhe é servido,
O cardápio por ela tem de ser pedido,
Gosta do que é difícil,

Ele reúne mil palavras,
E muitos aromas na refeição
Ela devaga em seu mundo de fada,
Pensa nas chamadas inesperadas,
Na liberdade conquistada
E volta-se para o seu mundo vão,

Ele lhe serve o suco,
Parece passear por seu mundo
Nem imagina por um momento
Que ela encontrou contento,
Em sua estranha forma de viver;

Despedem-se sem longos beijos,
Nem abraços demorados,
Ontem namorados,
Hoje nem um caso,

Ela diz adeus buscando naquele olhar
De olhos esverdeados tão bonitos,
Um ritmo para se evadir,
Mas não consegue, como não conseguiu;
Nos últimos anos de relacionamento...

O silencio do telefone

Chuva de inverno na primavera
Pressinto não são quimeras,
São portas entreabertas do passado,
O telefone chama, atendo,
Silêncio, insisto, desligo...

Eu conheço essa prática,
E a ameaça ao meu coração;
César fazia isso quando sentia saudade
Ôh, felicidade foi termos uma relação,

O período em que amei César,
Eu era ingênua, acreditava em alma gêmea,
E em todos os poemas que ele fazia pra mim;
Gostava de amar alguém com nome de imperador
César conquistou e devastou meu ser por inteiro,
Faz um ano que não o vejo...

Foi um grito de liberdade, quando o que eu amava
De verdade era a ele estar aprisionada...
César se cansou de mim, arranjou uma namorada
Disse-me tantas bobagens, mas nunca o esqueci!

E agora quando o telefone toca e fica em silêncio
Ecoam tantos momentos, do beijo roubado,
Dos meus tantos nãos aos seus convites ensaiados
E do nosso passo descompassado!
Tempo bom, não volta mais,
César foi um lindo sonho com tantos ideais!

miércoles, 2 de noviembre de 2011

Minha poesia

Estou farta do meu lirismo submisso;
Do meu lirismo esperado;
Do lirismo com muso, verso urgente,
Autógrafo e autorizações do ser amado.
Estou farta do lirismo que verseja minhas experiências
O desejo, do desejo, do desejo mais íntimo;

Todas as palavras, sobretudo as mais românticas,
Todas as cantadas, sobretudo as mais usadas,
Todos os ritmos, sobretudo a dos cantores contemporâneos;

Estou farta do lirismo enamorado,
Conto de Fada,
Grécia Antiga,
Musa das Antilhas,

De todo lirismo inventado
Recapitulado de minhas fantasias,
Do meu querer sem perceber
A dissolução de minha voz feminina,
Não preciso de autorização,
Preciso abandonar o não
E experimentar o que a vida convida,

Mas eu insisto nesse lirismo febril
Nessa coisa de poeta,
Nesse rascunho de esperas,
Que torna a vida mais leve,
Quando eu sei que o mar só vai,
E não mais vem... ou vem?

Ao passo que esse lirismo me gera cansaço
E ardor nas artérias por estar remando há tanto tempo
Eu não lamento, porque eu amo meu canto,
Triste, intransitivo e ensimesmado;

Acho apenas que esse fardo louco, desesperado
De amar sem ser amado não é coisa de jovem,
É coisa de quem se mete em assunto de gente grande,
O que fiz – minha vida inteira!!!

martes, 1 de noviembre de 2011

Segredos da noite

Só assim, você dormindo,
Eu consigo escrever meus versos,
Cantar que te espero e que tenho por ti
Um querer de endoidecer....

Só assim, você dormindo,
Tiro os véus de minha timidez,
Para com toda insensatez
Contar-te coisas do coração...

Canto tão devagar, sem violão
Pra você não acordar,
Minha face enrubresceria,
Tímida, eu gaguejaria
E não verias como meus olhos brilham
Quando falam em ti...

Dormes, querubim, não me critiques
Nem se apiedes do meu amor,
Que se iniciou na ausência de fundamento,
Contento na minha arte da criação!

Dormes, só assim você dormindo,
Te contemplo – lindo, quieto...
E sem menor noção de que teus sonhos velo!

A almofada

Queria chegar em casa descansada
E entre almofadas encontrar teu bilhete
Eu dispensaria o ramalhete de flores,
Quando minha rosa espera por ti,
Paciente de amores...

Ah, entre lençóis a lembrança é constante,
Do semblante jamais tocado,
Tua lembrança é relicário,
E me faz tão feliz...

Eu aprendiz do teu querer me reviro
pelo avesso...
Nesse contexto de amor por quem não conheço
Reviro na cama, insônia, chama
De saudade, na espera de que passe meu desejo
e-ter-ni-da-de!

Tempestades de pensamentos, a almofada
Amortece e acalma minhas aterrizagens,
Um pouso solitário entregue ao acaso,
Em que não há bilhete, ramalhete,
Ou nenhuma marca feita por ti em mim!

Como quem ama

Eu ensaio versos como quem ama
Essa chama que queima e canta
Dentro de mim é assim...

Chega devagar e se instala
No início sem barulho,
Visita agradável ao meu mundo,
Á noite é vento instável em meu peito!
Não sei que fazer direito com meu sentir...

Eu ensaio versos como quem ama,
No final do ensaio confundo a interpretação
Realidade ou ilusão?
Onde depositarei meus sonhos?
Se estes não existem, cometo deslizes...

Eu faço versos como quem ama,
Como quem sofre e espera a chegada
Daquele que banha minha alma
De muito calor, ardor e poesia...

O ritmo dele não está nas palavras
Mas em sua chegada tão aventureira...
Traduz-se na lareira dos meus versos,
Por isso o espero como quem ama!!!

Lucidez

Nesses intervalos de lucidez,
Percebo minha insensatez ...
Em querer o inatingível,
Mas todos amantes amam
As estrelas, seu brilho...

Meu bem, entender-me
É mesmo difícil...
Não sabes que toda sinfonia
Mozart, Beethoven, nenhuma,
Consegue ser mais suave,
Que aquela tocada em minha alma
Quando estou apaixonada...

Eu bailo sozinha, acompanhada
Sei que és a brisa que me faltava,
O frescor do entardecer,
É uma pena não ter você!
Te foste com tua música,
Teu perfume, o beijo não realizado,
Mas teu ritmo vibra em mim
Como se fosse teu violão...
Cujas cordas ficaram presas
Nas paredes de meu coração....
Por isso é tão difícil esquecer-te!